América Latina e a Política da Boa Vizinhança: Era Vargas, guerra e diplomacia

América Latina e a Política da Boa Vizinhança: Era Vargas, guerra e diplomacia

Entenda a Política da Boa Vizinhança, a Segunda Guerra Mundial, a atuação dos EUA e influência sobre o Brasil

A Era Vargas promoveu profundas transformações no Brasil, marcadas pela centralização do poder, pelo nacionalismo econômico e pela maior intervenção do Estado, em um contexto de crise do liberalismo e tensões internacionais.

Nesse cenário, a Política da Boa Vizinhança e a Segunda Guerra Mundial redefiniram as relações entre o Brasil, os Estados Unidos e a América Latina. A aproximação diplomática influenciou decisivamente os rumos do país e da região.

Nesse texto, você vai entender a relação entre a Política da Boa Vizinhança e a Segunda Guerra Mundial, a atuação dos EUA na América Latina e o uso da cultura como instrumento político. Acompanhe abaixo.

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A Era Vargas: características e projeto político

A Era Vargas (1930–1945) representa um dos períodos mais complexos e decisivos da história brasileira. Ela pode ser dividida em: Governo Provisório (1930–1934), Governo Constitucional (1934–1937) e Estado Novo (1937–1945).

Em todas elas, Vargas buscou fortalecer o Estado nacional, enfraquecer as oligarquias regionais e promover a industrialização. Para isso, lançou mão de um discurso nacionalista, trabalhista e autoritário.

Iniciado com a Revolução de 1930, que pôs fim à República Oligárquica, marcou a centralização do poder político. Além disso, ampliou o papel do Estado na economia e a construção de uma nova relação entre governo e sociedade.

Nesse contexto, a política externa brasileira ganhou destaque, especialmente durante os anos 1930 e 1940. Getúlio explorou as tensões internacionais, praticando aquilo que os historiadores chamam de “jogo duplo” diplomático.

No plano econômico, o governo investiu na industrialização de base, para superar a dependência do setor agrário-exportador. No plano social, criou leis trabalhistas, sindicatos atrelados ao Estado e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Já no campo político, especialmente no Estado Novo, o regime assumiu caráter ditatorial, com censura, repressão e forte propaganda oficial. Assim, revelava os limites autoritários do projeto varguista de modernização do país.

É nesse cenário que a política externa se torna estratégica. Vargas percebeu que a crise do liberalismo, a ascensão dos regimes totalitários na Europa e a iminência de uma nova guerra mundial abriram espaço para o Brasil negociar vantagens.

A Política da Boa Vizinhança e o “jogo duplo” de Vargas

A Política da Boa Vizinhança foi formulada pelos Estados Unidos durante o governo de Franklin D. Roosevelt. Ela  tinha como objetivo abandonar as antigas intervenções militares diretas na América Latina e substituí-las por uma diplomacia.

A cooperação, o comércio e a influência cultural eram a base do processo. Na prática, tratava-se de uma estratégia para garantir influência norte-americana sobre países latino-americanos diante da ameaça do nazi-fascismo.

Getúlio Vargas soube se aproveitar desse contexto. Durante os anos 1930, o Brasil manteve relações tanto com os Estados Unidos quanto com a Alemanha nazista, principal parceiro comercial brasileiro na Europa.

Essa ambiguidade diplomática permitiu que Vargas pressionasse Washington a oferecer contrapartidas econômicas concretas. O resultado mais emblemático dessa negociação foi o financiamento norte-americano para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda.

A siderurgia era um antigo sonho nacionalista e fundamental para o desenvolvimento industrial e militar do país. Em troca, o Brasil alinhou-se definitivamente aos EUA, concedendo bases militares estratégicas no Nordeste.

Segunda Guerra Mundial e a consolidação da Boa Vizinhança

A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) teve como causas principais as tensões não resolvidas após a Primeira Guerra. Além disso, o revanchismo alemão, a crise de 1929 e a ascensão dos regimes totalitários foram fatores que contribuíram.

Para os Estados Unidos, o conflito tornou essencial garantir que a América Latina não se alinhasse ao Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Nesse sentido, a Política da Boa Vizinhança funcionou como uma preparação diplomática e ideológica.

O Brasil entrou oficialmente na guerra em 1942, após ataques de submarinos alemães a navios brasileiros. Em 1944, enviou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para lutar na Itália, consolidando o alinhamento com os Aliados.

No entanto, ao lutar contra o fascismo no exterior, tornava-se cada vez mais contraditório manter uma ditadura no país. Assim, a guerra contribuiu diretamente para o enfraquecimento do Estado Novo e a deposição de Vargas em 1945.

Revolução Mexicana e a mudança da postura dos EUA

Para entender o significado da Política da Boa Vizinhança, é fundamental olhar para o passado das relações entre os EUA e a América Latina. Destaca-se, por exemplo, a Revolução Mexicana, marcada por intervenções diretas norte-americanas.

A Revolução Mexicana (1910–1920) ocorreu em um contexto marcado por profundas desigualdades sociais. Houveram frequentes intervenções norte-americanas na região, legitimadas pela Doutrina Monroe e pela política do Big Stick.

Durante o processo revolucionário mexicano, os Estados Unidos intervieram direta e militarmente em diversos momentos, defendendo seus interesses econômicos. Esse histórico de ingerência gerou forte ressentimento latino-americano.

Diante da crise de 1929 e do avanço das potências totalitárias, esse modelo de intervenção direta passou a ser revisto pelos Estados Unidos. Para evitar a perda de influência na América Latina, adotou-se uma estratégia diplomática menos coercitiva, que deu origem à Política da Boa Vizinhança.

Assim, essa política representou uma mudança de forma, embora não de conteúdo, na dominação. Caracterizou-se, portanto, por menos soldados, mais diplomacia, cultura e propaganda.

Cultura e vestibular: Zé Carioca e Carmen Miranda

Nos vestibulares, especialmente no Enem e na Unesp, a Política da Boa Vizinhança é frequentemente cobrada por meio de elementos culturais. Um exemplo clássico é o Zé Carioca, personagem criado por Walt Disney.

O personagem representa o brasileiro como simpático, cordial e amigo dos Estados Unidos, reforçando estereótipos culturais positivos. O personagem ajudava a “vender” a ideia de aliança e integração hemisférica.

Outro símbolo central é Carmen Miranda, que se tornou um grande sucesso em Hollywood. Conhecida como “The Brazilian Bombshell”, ela representava uma imagem estereotipada e alegre da América Latina.

Construída para agradar ao público norte-americano, Carmen Miranda reforçou um estereótipo exótico e festivo da América Latina, associando o Brasil à alegria, sensualidade e musicalidade, simplificando sua diversidade cultural.

Questão do vestibular sobre América Latina e Política da Boa Vizinhança

UFJF 2023

Sobre a Política da Boa Vizinhança e a produção cultural a respeito da América Latina, é CORRETO afirmar que:

A) A aproximação cultural entre Brasil e Estados Unidos no contexto da Segunda Guerra Mundial favoreceu um conjunto de acordos com os países do Eixo em termos de trocas intelectuais e culturais.
B) A Política da Boa Vizinhança se caracterizou pelas diversas intervenções militares, lideradas pelos Estados Unidos nos países sul-americanos, em especial nas décadas de 1950 e 1960.
C) O afastamento entre Brasil e Estados Unidos no contexto da Segunda Guerra Mundial fez com que a produção de filmes sobre a América Latina fosse pautada em estereótipos negativos dos personagens Pato Donald, Zé Carioca e Carmen Miranda.
D) Personagens como Pato Donald, Zé Carioca e Carmen Miranda fizeram parte do imaginário cultural a respeito dos países sul-americanos nos anos 1940 e algumas de suas características são retomadas em produções fílmicas sobre o Brasil hoje.
E) A Política da Boa Vizinhança e as produções cinematográficas não estiveram ligadas a questões políticas do contexto do fim da Segunda Guerra Mundial, sendo expressão do vínculo cultural histórico entre Brasil e Estados Unidos.

Alternativa correta:

D

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