O governo de Fernando Collor de Mello, que ocorreu entre 1990 e 1992, foi marcado por uma série de medidas econômicas drásticas, escândalos de corrupção e intensa instabilidade política.
Eleito como o primeiro presidente pelo voto direto após o longo período da ditadura militar, Collor assumiu com o discurso de modernizar a economia, combater a inflação e enfrentar privilégios políticos.
O conhecimento acerca desse governo é fundamental porque ajuda a compreender um momento crucial da redemocratização do Brasil, marcado por desafios econômicos, sociais e políticos.
Para se aprofundar mais no assunto, entender sobre as principais características do Governo Collor, bem como suas medidas políticas, econômicas e todo o processo que culminou em seu impeachment, leia a seguir o artigo que o Estratégia preparou.
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Contexto histórico
A eleição presidencial de 1989 ocorreu em um momento de transição para a democracia no Brasil, após mais de duas décadas de regime militar. Foi a primeira eleição direta para presidente desde 1960 e contou com um cenário político fragmentado, com 22 candidatos disputando o primeiro turno.
O contexto era de crise econômica, com inflação altíssima, aumento da desigualdade social e desconfiança por parte da população em relação à política tradicional.
Fernando Collor de Mello, então governador de Alagoas, surgiu como uma figura carismática, se apresentando como o “caçador de marajás” — uma referência ao seu suposto combate a altos salários e privilégios no setor público.
Com forte apoio da mídia, ele se tornou o candidato favorito da direita e de setores empresariais, defendendo um projeto de modernização econômica e combate à corrupção.
No segundo turno, Collor enfrentou Luiz Inácio Lula da Silva, que representava a classe trabalhadora e tinha um discurso voltado para a justiça social e distribuição de renda. A disputa foi acirrada, marcada por ataques mútuos e pela influência dos meios de comunicação.
O último debate, transmitido pela emissora Globo, favoreceu Collor e consolidou sua vitória com 53% dos votos contra 47% de Lula. Esse embate definiu o futuro do Brasil nos anos 1990, e também inaugurou uma polarização política que se manteria nas décadas seguintes.
Plano Collor e medidas econômicas
O primeiro problema a ser enfrentado pelo novo presidente eleito foi o controle da inflação, que já atingia uma média de 84,2% ao mês. No dia seguinte à posse, em 15 de março de 1990, Collor editou um plano de ação para lidar com esse problema, o Plano Brasil Novo, mais conhecido como Plano Collor.
A ação mais marcante e polêmica desse plano foi o confisco da poupança e das contas correntes. O governo bloqueou temporariamente os depósitos bancários acima de 50 mil cruzeiros, permitindo apenas saques mensais limitados.
Essa medida visava reduzir a quantidade de dinheiro em circulação para conter a inflação, mas gerou grande insatisfação popular, falências de empresas e um colapso no consumo interno.
Além disso, o plano previa o congelamento de preços e salários, cortes nos gastos públicos e o aumento de impostos. Apesar dessas ações, a inflação voltou a subir pouco tempo depois.
Abertura comercial e modernização econômica
Uma das bandeiras do governo Collor foi a abertura da economia brasileira ao mercado internacional. O Brasil, que até então seguia um modelo protecionista, começou a reduzir tarifas de importação e eliminar barreiras comerciais, incentivando a entrada de produtos estrangeiros.
Essa medida forçou a modernização da indústria nacional, que passou a competir com empresas internacionais. No entanto, a abertura foi feita de forma abrupta, resultando na falência de diversas empresas que não conseguiram se adaptar à nova realidade, resultando, portanto, no aumento do desemprego.
Tentativas de reforma do Estado
Collor também propôs uma reforma administrativa, com o objetivo de reduzir a máquina pública e tornar o Estado mais eficiente. O governo promoveu privatizações de empresas estatais, extinguiu órgãos públicos e demitiu funcionários considerados excedentes.
Seu discurso contra os “marajás” — servidores públicos que recebiam salários elevados sem contrapartida produtiva — fez parte dessa estratégia. Entretanto, essas medidas geraram resistência de setores políticos e da sociedade, além de denúncias de corrupção nos processos de privatização.
O que foi o movimento “Caras-Pintadas”?
O Movimento Caras-Pintadas foi uma mobilização popular liderada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), que ocorreu em 1992 para exigir o impeachment do então presidente.
Após as denúncias de corrupção envolvendo o esquema liderado por PC Farias, tesoureiro da campanha de Collor, manifestações tomaram as ruas do Brasil. Jovens pintaram o rosto de verde e amarelo como símbolo de protesto, reforçando a força da mobilização popular na defesa da democracia.
Como terminou o governo de Fernando Collor?
Após uma intensa crise política desencadeada por denúncias de corrupção, o governo chegou ao fim em 29 de dezembro de 1992. O processo de impeachment, iniciado ainda em 1992, foi resultado das investigações da CPI, que comprovaram o esquema de corrupção ligado ao presidente.
A revelação de que Collor utilizava dinheiro desviado para gastos pessoais, incluindo a compra de artigos de luxo, intensificou a insatisfação popular.
Por fim, um dos fatores decisivos para a queda de seu governo foi o Movimento Caras-Pintadas, citado anteriormente, que tomou as ruas exigindo a saída do presidente.
Diante da crescente pressão popular e da inevitável derrota no Congresso, Collor optou por renunciar ao cargo momentos antes da votação final no Senado. No entanto, o processo seguiu adiante e, mesmo após a renúncia, ele foi condenado à perda dos direitos políticos por oito anos.
Esse desfecho representou um marco simbólico na democracia brasileira, demonstrando a força das instituições e da participação popular na fiscalização do governo.
O impeachment de Collor estabeleceu um precedente histórico no país, demonstrando que um presidente poderia ser removido do cargo por pressão popular e pelo devido processo legal. Na esfera econômica, a abertura comercial promovida por Collor teve impactos longevos.
Hoje, o Brasil continua a debater — ainda mais com o advento da internet e das mídias sociais — os efeitos da globalização sobre a indústria nacional, bem como a necessidade de equilibrar privatizações e atuação do Estado na economia.
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