Os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995 — 2002) foram marcados pela consolidação do Plano Real, que estabilizou a economia brasileira após um longo período de inflação. Durante seus dois mandatos, destacaram-se a adoção de políticas neoliberais, com privatizações de empresas estatais, a abertura da economia e reformas institucionais.
O conhecimento acerca dos governos de Fernando Henrique Cardoso não só é importante para entender a conjuntura política e econômica em que o Brasil estava inserido, bem como os desafios frente ao mercado externo e interno, mas também para quem quer se destacar na resolução de questões e garantir um bom desempenho no vestibular.
Pensando nisso, a Coruja preparou esse artigo com os pontos mais relevantes sobre o assunto, para você aprender sobre todo o contexto envolvendo o início e o declínio dos governos FHC. Continue lendo e, ao final, veja uma questão com seu gabarito comentado.
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Contexto histórico
Os governos de Fernando Henrique Cardoso ocorreram em um período de transição na economia brasileira, após décadas de instabilidade inflacionária. No início dos anos 1990, o Brasil enfrentava altos índices de inflação, crise fiscal e dificuldades na modernização do Estado.
Como ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, FHC foi um dos arquitetos do famoso Plano Real, que estabilizou a moeda e pavimentou o caminho para sua eleição à presidência.
Naquele contexto, seu governo coincidiu com um cenário global de ascensão do neoliberalismo, influenciado por políticas de abertura econômica, privatizações e maior controle fiscal.
Primeiro governo (1995 — 1998)
Política econômica e o Plano Real
O Plano Real, implementado em 1994, foi a principal base da política econômica do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. Criado para conter a hiperinflação que assolava o Brasil desde os anos 1980, o plano seguiu uma abordagem progressiva, dividida em três fases: o ajuste fiscal, a introdução da Unidade Real de Valor (URV) e, finalmente, a adoção do real como nova moeda em julho de 1994.
Ao assumir a Presidência em 1995, FHC deu continuidade às diretrizes do plano, mantendo uma política cambial baseada na valorização do real frente ao dólar. Essa âncora cambial ajudava a controlar a inflação ao tornar importações mais baratas, forçando a queda dos preços no mercado interno.
Além disso, o governo adotou uma política monetária rigorosa, mantendo juros elevados para atrair capital estrangeiro e garantir estabilidade financeira.
No entanto, esse modelo trouxe desafios. A sobrevalorização do real tornou os produtos brasileiros menos competitivos no mercado externo, aumentando o déficit comercial e a dependência do país em relação ao capital estrangeiro. Somado a isso, a manutenção de juros altos encareceu o crédito e desestimulou o investimento produtivo, o que colaborou para o aumento do desemprego.
Mesmo com essas dificuldades, o Plano Real teve êxito no controle da inflação, que caiu significativamente entre 1994 e 1997. O crescimento econômico foi moderado, mas o país passou a ser visto como um mercado confiável para investimentos internacionais. A estabilidade proporcionada pelo plano foi um dos principais fatores que garantiram a reeleição de FHC em 1998.
Reformas institucionais e privatizações
Fernando Henrique promoveu reformas institucionais que alteraram o papel do Estado na economia. O governo aprovou emendas constitucionais que permitiram a privatização de empresas estatais estratégicas, como a Companhia Vale do Rio Doce, a Telebrás e até mesmo a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do setor de mineração.
Essas medidas visavam aumentar a eficiência dos setores produtivos e reduzir o déficit público. Além disso, promoveu uma reforma previdenciária e uma administrativa, com o objetivo de controlar os gastos públicos e tornar a máquina estatal mais eficiente.
Apesar dos avanços no controle da inflação e da modernização do Estado, o primeiro governo FHC enfrentou grandes obstáculos. O modelo econômico adotado gerou um alto nível de endividamento externo e expôs o país a crises internacionais, como a crise asiática, de 1997, bem como a crise russa, de 1998.
Fora isso, a política de valorização cambial prejudicou a indústria nacional e contribuiu para o aumento do desemprego, impactando significativamente boa parcela da população.
Segundo governo (1999 — 2002)
O segundo governo FHC foi marcado por desafios econômicos, reformas institucionais e avanços tecnológicos e culturais. Após sua reeleição, FHC enfrentou uma crise cambial que levou ao abandono da âncora cambial e à adoção do câmbio flutuante em 1999.
O governo também consolidou a Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelecendo regras para o controle dos gastos públicos. Na esfera social, programas como o Bolsa Escola e o Auxílio Gás foram implementados como medidas de combate à pobreza.
Transformações culturais e tecnológicas
O período foi decisivo para a modernização digital do Brasil. A chegada da internet comercial, ainda nos anos 1990, expandiu-se rapidamente durante o segundo governo FHC, impulsionada pela privatização do setor de telecomunicações.
A desestatização da Telebrás possibilitou a popularização dos serviços de telefonia e a ampliação do acesso à internet, que começou a se tornar parte do cotidiano da população e das empresas.
Somado a isso, houve mudanças culturais relevantes, com o fortalecimento da indústria audiovisual brasileira, incluindo o sucesso de filmes nacionais como Central do Brasil e Cidade de Deus. O governo também incentivou políticas voltadas à educação e cultura, a fim de aumentar a inclusão digital e modernizar o ensino.
Em contrapartida, apesar dos avanços, o segundo mandato foi marcado por crises econômicas e denúncias de corrupção (que permaneceram sem investigação), o que desgastou a popularidade de FHC e abriu caminho para a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.
Questão sobre o governo Fernando Henrique Cardoso
UFSC (1999)
Em 1994, Fernando Henrique Cardoso, na qualidade de Ministro da Fazenda, implantou o Plano Real. Assumindo como presidente da República em 1995, além de manter o referido plano, implementou uma política econômica denominada neoliberal pelos seus adversários políticos.
Assinale a(s) proposição(ões) que é(são) considerada(s) consequência(s) da referida política econômica.
01. Aumento significativo do número de empregos e da remuneração dos assalariados, de modo especial, dos servidores públicos.
02. Privatização de empresas públicas como a Companhia Siderúrgica Nacional, Vale do Rio Doce e Telebrás.
04. Queda da inflação, alto índice de desemprego e juros elevados.
08. Investimentos maciços nos sistemas públicos de educação e saúde, e facilidade de financiamentos ao consumidor.
16. Balança comercial invariavelmente favorável.
Resposta:
1. Incorreta. Uma das consequências dessa economia neoliberal foi o alto índice de desemprego, sobretudo no funcionalismo público. Houve uma redução de 20% dos funcionários públicos em nível federal e estadual por meio da aposentadoria antecipada ou demissão.
2. Correta, houve privatizações.
4. Correta. FHC conseguiu controlar a inflação, mas sua política deixou outros problemas como o alto desemprego e juros elevados (na realidade, os juros altos fizeram parte da política econômica de FHC no que tange ao capital especulativo).
8. Incorreta. Não é possível falar em investimentos maciços nos sistemas públicos de educação e saúde nesse período.
16. Incorreta. A balança ainda oscilava entre déficit e superávit.
Alternativa correta: 06
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