Morfologia: definição, classes e exemplos

Morfologia: definição, classes e exemplos

Aprenda a analisar a estrutura e a formação das palavras, domine a análise morfológica e entenda a diferença entre morfologia e sintaxe

Você já parou para pensar em como as palavras são construídas? Ou em como uma única palavra pode mudar de forma para indicar gênero, número ou tempo? O estudo da forma, da estrutura interna e da classificação das palavras é o objeto da Morfologia.

Dominar a morfologia é fundamental para resolver questões de Linguagens no Enem e nos principais vestibulares, pois ela serve de base para a interpretação de textos, para a análise sintática e para a precisão vocabular na redação.

Pensando nisso, o Portal do Estratégia Vestibulares preparou este artigo para você entender melhor o que é a morfologia, como ela se diferencia da sintaxe e quais são seus objetos de estudo. Confira!

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O que é morfologia?

A morfologia (do grego morphe, “forma”, e logos, “estudo”) é a parte da gramática que estuda as palavras isoladamente. Isso significa que o foco não está voltado para a função que a palavra desempenha na frase, mas sim para sua estrutura, seus processos de formação, sua classificação gramatical e flexões.

Diferença entre morfologia e sintaxe

Uma das maiores confusões entre os estudantes é misturar os conceitos morfológicos com os sintáticos. Para nunca mais errar:

  • Morfologia (a natureza da palavra): analisa o que a palavra é por si só. A classificação aqui resulta em uma das dez classes de palavras (substantivo, adjetivo, verbo, etc.);
  • Sintaxe (a função da palavra): analisa o papel que a palavra desempenha ao se relacionar com outras dentro de uma oração. A classificação aqui resulta em funções como sujeito, objeto direto, predicativo, entre outros.

Exemplo prático: na frase “o estudante venceu”, a palavra “estudante” é substantivo na análise morfológica e funciona como sujeito do verbo “vencer” na análise sintática.

Estrutura das palavras

O que são os morfemas?

As palavras são compostas por pequenas unidades de significado chamadas morfemas, que podem ter uma valor conceitual ou lexical ou uma função gramatical, como a indicação de gênero e número.

Assim, conhecer essas partes das palavras é importante porque ajuda, inclusive, a decifrar o sentido de palavras que você nunca viu antes. Vamos entender melhor quais são essas estruturas: 

Radical e afixos

Radical

É a parte essencial da palavra, responsável por carregar o seu significado principal. Além disso, palavras da mesma família compartilham o mesmo radical. 

  • Exemplo: Pedra, pedreiro, pedregulho. 

Note que a estrutura “pedr” permanece fixa em todas as três variações, servindo como a raiz que conecta o sentido de cada uma delas. 

Afixos

São morfemas que se juntam ao radical para modificar seu sentido e formar novas palavras. Eles se dividem em:

  • Prefixos: colocados antes do radical. Exemplo: felizinfeliz; e
  • Sufixos: são colocados depois do radical. Exemplo: feliz → felizmente.

Vogal temática, consoante e vogal de ligação

Vogal temática

A vogal temática é responsável por unir o radical à desinência. Nos verbos, ela indica a conjugação: 

  • A (1ª conjugação): cantar, falar, amar.
  • E (2ª conjugação): correr, vender, comer.
  • I (3ª conjugação): partir, sorrir, dividir.

O conjunto Radical + Vogal Temática chama-se “tema”. Por exemplo, na palavra “livros”, o radical é livr- e a vogal temática é -o. Juntos, eles formam o tema livro, que está pronto para receber a desinência nominal de número (-s), indicativa do plural. 

Consoante e vogal de ligação

São elementos desprovidos de significado e que surgem apenas para facilitar a pronúncia da palavra. 

Exemplos: Cafeteira (o “t” liga o radical café ao sufixo eira), gasômetro (o “o” liga gás a metro).

Desinências

São os morfemas colocados no final das palavras para indicar suas flexões gramaticais. Dividem-se em:

Desinências nominais

Indicam o gênero (masculino/feminino) e o número (singular/plural) de nomes. Exemplo: Alunos (o radical é “alun”, “o” indica masculino, “s” indica plural).

Desinências verbais

Indicam o tempo e o modo (desinência modo-temporal), bem como a pessoa e o número (desinência número-pessoal) dos verbos. 

Exemplos de desinências modo temporal:

  • -va (pretérito imperfeito do indicativo – 1.ª conjugação): eu cantava, tu cantavas, ele cantava;
  • -ia (pretérito imperfeito do indicativo – 2.ª e 3.ª conjugações): eu partia, tu vendias, ele corria;
  • -ra (pretérito mais-que-perfeito do indicativo): ele cantara, tu venderas, ele partira;
  • -ria (futuro do pretérito do indicativo): eu cantaria, tu venderias, ele partiria;
  • -sse (pretérito imperfeito do subjuntivo): se eu cantasse, se tu partisses, se eles vendessem.

Exemplos de desinências número-pessoal:

  • -o (1.ª pessoa do singular): eu canto, eu ando, eu amo;
  • -s (2.ª pessoa do singular): tu cantas, tu andas, tu amas;
  • -mos (1.ª pessoa do plural): nós cantamos, nós andamos, nós amamos; e
  • -m (3.ª pessoa do plural): eles cantam, eles andam, eles amam.

Processos de formação de palavras

Na língua portuguesa, existem dois processos principais para dar origem a novas palavras: a derivação e a composição.

1. Derivação

Ocorre quando criamos uma nova palavra (palavra derivada) a partir de uma já existente (palavra primitiva), utilizando afixos ou alterações morfológicas. Essa criação pode ocorrer das seguintes formas:

  • Prefixal: acréscimo de prefixo. Exemplo: Desfazer, rever, amoral;
  • Sufixal: acréscimo de sufixo. Exemplos: Realismo, sabiamente, amorzinho
  • Prefixal e sufixal: acréscimo independente de ambos. Se retirar um desses elementos, a palavra restante ainda existe. Exemplo: Infelizmente (existe “infeliz” e existe “felizmente”); 
  • Parassintética: acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, mas se retirar um deles, a palavra restante deixa de existir. Exemplo: Entardecer (não existe apenas “entarde” nem “tardecer”);
  • Regressiva: redução da palavra primitiva, comum na criação de substantivos a partir de verbos. Exemplo: Debater (verbo) → o debate (substantivo); e
  • Imprópria: a palavra não muda de forma, mas muda de classe gramatical dependendo do contexto. Exemplo: “O jantar estava ótimo” (o verbo jantar passou a funcionar como substantivo).

2. Composição

Ocorre quando a nova palavra é formada pela união de dois ou mais radicais (palavras que já tinham significado por si mesmas). Pode ocorrer por:

  • Justaposição: os radicais se unem sem sofrer nenhuma alteração de som ou grafia. Exemplos: passatempo (passa + tempo), guarda-chuva; ou
  • Aglutinação: pelo menos um dos radicais sofre alteração fonética ou perda de letras. Exemplos: planalto (plano + alto), vinagre (vinho + acre).

A formação das palavras também pode ser fruto de:

  • Abreviação vocabular: quando há redução de uma palavra para otimizar a comunicação. Exemplos: moto (de “motocicleta”), foto (de “fotografia”); 
  • Onomatopeia (neologismo onomatopeico): quando utilizamos uma onomatopeia para criar uma palavra completamente nova, unindo a Estilística Fônica (o som) ao processo morfológico da derivação sufixal: Exemplos: tic-tac, miar – “O miado do gato era estranho.” 

Neologismos

O neologismo é um fenômeno linguístico de criação de novas palavras cujo objetivo é preencher lacunas de comunicação diante de novos conceitos, impulsionado especialmente pelo avanço da ciência, da tecnologia e das mudanças sociais. 

Nesse sentido, alguns exemplos de neologismos modernos são: deletar, linkar e printar.

Classes de palavras

A gramática da língua portuguesa divide as palavras em dez categorias, que funcionam como as “famílias” do vocabulário. Essas classes podem ser variáveis (que mudam de forma) ou invariáveis (que mantêm a forma fixa).

Classes gramaticais variáveis

Mudam de forma para concordar em gênero, número ou flexionar em tempo e pessoa.

  • Substantivo: nomeia os seres, objetos, lugares, sentimentos e conceitos (Exemplos: livro, Brasil, amor); 
  • Artigo: antecede o substantivo para determiná-lo de forma definida ou indefinida (Exemplos: o, a, um, uma);
  • Adjetivo: caracteriza ou qualifica o substantivo (Exemplos: estudioso, azul, grande);
  • Numeral: indica quantidade exata, ordem, multiplicação ou fração (Exemplos: dois, primeiro, dobro); 
  • Pronome: substitui ou acompanha o substantivo, indicando a pessoa do discurso (Exemplos: eu, este, meu, quem); e
  • Verbo: exprime ação, estado, mudança de estado ou fenômeno da natureza no tempo (Exemplos: estudar, ser, chover).

Classes gramaticais invariáveis

Não sofrem nenhum tipo de flexão, ou seja, não vão para o plural ou feminino, por exemplo.

  • Advérbio: modifica o sentido de um verbo, de um adjetivo ou de outro advérbio, indicando circunstâncias (Exemplos: ontem, aqui, muito, calmamente);
  • Preposição: liga duas palavras entre si, estabelecendo uma relação de dependência (Exemplos: de, para, com, em);
  • Conjunção: liga duas orações ou dois termos semelhantes de uma mesma oração (Exemplos: mas, porque, e, portanto); e
  • Interjeição: exprime emoções, sentimentos ou reações abruptas (Exemplos: Uau!, Ai!, Nossa!).

O que é análise morfológica?

Fazer uma análise morfológica significa identificar individualmente a classe gramatical de cada termo em uma frase. Para ficar mais claro, vamos analisar o seguinte exemplo: “Os alunos dedicados gabaritaram a prova ontem.”

  • os: artigo definido masculino plural
  • alunos: substantivo comum
  • dedicados: adjetivo
  • gabaritaram: verbo (3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
  • a: artigo definido feminino singular
  • prova: substantivo comum
  • ontem: advérbio de tempo

+ Veja também: Ortografia no vestibular: regras essenciais, principais erros e exemplos 

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