A cada dois anos, o Brasil passa por eleições políticas locais e gerais, e graças a isso, um formato de programa televisivo que se consolidou nos canais abertos foi o de debates políticos.
Os eventos chamam a atenção do eleitorado e geram grande audiência pelas propostas e embates, que ultrapassam a televisão e ganham a internet antes, durante e depois da transmissão.
Com toda a recuperação, vem a dúvida, será que é possível relacionar os debates com os temas, também de interesse público, de redação dos vestibulares? E a resposta é “sim”! Confira como usar debates políticos no repertório da redação:
Confira também:
+ 7 citações sobre política para usar na redação
+ 13 questões sobre geopolítica que já caíram nos vestibulares
+ Geopolítica: conceito, importância e organizações
Navegue pelo conteúdo
O que é repertório sociocultural da redação?
O repertório sociocultural é o uso de conceitos e conhecimentos de campos variados para defender um argumento. Na proposta de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ele faz parte da competência dois de avaliação.
Nessa competência, a banca avalia se o candidato conseguiu “compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.”
Um bom repertório sociocultural pode trazer referências a acontecimentos históricos, conceitos filosóficos, citações a obras do cinema e da música, literatura e muito mais.
Saiba mais:
+ Repertório sociocultural: o que é, como usar na redação e exemplos
Como usar debates políticos como repertório?
Acesso à informação e cidadania
De acordo com dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Tecnologias de Informação e Comunicação) – PNAD Contínua (TIC), 85,8% dos domicílios brasileiros com televisão têm acesso a canais abertos. Dessa forma, é possível associar a realização de debates políticos na televisão com o direito dos cidadãos de acesso à informação.
Além disso, é possível argumentar que as emissoras que realizam os debates, e que operam a partir de concessões públicas, estão cumprindo sua função social exigida pela Constituição Federal e contribuindo para a cidadania.
Ainda assim, é claro, é possível trazer contrapontos dentro dos mesmos temas, como a não obrigatoriedade legal das emissoras em realizar debates políticos, ou, ainda, a exclusão de minoria políticas (já que a lei garante presença obrigatória apenas para candidatos de partidos com representação mínima no Congresso Nacional), ou a espetacularização da discussão em busca de audiência e consequentemente publicidade.
Desinformação e fake news
Uma questão que não é nova quando o assunto é realização de debates na televisão, é a checagem de informações em tempo real. A problemática neste ponto é que candidatos tenham a liberdade de espalhar desinformação e notícias falsas (as fake news), ainda que não intencionalmente, sem que tenham um contraponto jornalístico sobre a fala na mesma hora.
Dessa maneira, qualquer informação falsa, por mais inconcebível que possa soar, pode parecer verdadeira para o eleitor que acompanha a discussão.
Cultura dos cortes e “lacração”
Neste tópico, é possível argumentar que com o advento das redes sociais, os debates políticos ganharam um novo objetivo, deixando de ser sobre a vitória da melhor proposta e projeto político, e servindo como material para “cortes” com potencial de viralização na internet.
E para que esses vídeos curtos ganhem grande repercussão, é necessário apelar para um discurso com forte carga emocional, muitas vezes deixando de lado propostas concretas, apostando em um tom de “lacração” ou ataque pessoal aos outros candidatos.
Polarização
Na mesma linha do conceito de “lacração”, a polarização política pode ser abordada a partir dos debates ao apontar que os espaços podem deixar de ser uma oportunidade de convencimento do eleitorado e passam a ser sobre a desmoralização do adversário e a reafirmação junto à base eleitoral já estabelecida.
A problemática ultrapassa os debates e chega ao eleitor já convencido por um dos lados, que passa a tratar a política como “nós contra eles”, deixando de lado as propostas e abordagens dos temas.
Como fazer as citações a debates políticos na redação?
Para conectar o tema da sua redação aos debates políticos, é essencial trazer referências teóricas. Veja exemplos:
| Tópico | Conceito/Autor | O que diz o conceito | Como conectar ao debate político |
| Acesso à Informação e Cidadania | “Cidadãos de Papel” de Gilberto Dimenstein | O jornalista brasileiro argumenta que o País possui uma legislação avançada (como a Constituição de 1988), mas muitos direitos permanecem apenas no papel, gerando uma cidadania incompleta. | É possível argumentar que embora o debate na TV aberta cumpra formalmente o papel de garantir o acesso à informação exigido pela concessão pública, a superficialidade das discussões impede que a população adquira uma consciência política real. Isso reduz o eleitor a um “cidadão de papel”, que tem o direito de votar, mas carece de subsídios críticos para escolher. |
| Desinformação e Fake News | “Pós-Verdade” do Dicionário Oxford | Fenômeno em que os fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que os apelos à emoção e às crenças pessoais. | Candidatos frequentemente utilizam dados distorcidos ou inventados ao vivo porque sabem que o impacto emocional gera engajamento imediato, enquanto a checagem dos fatos (fact-checking) pela emissora ou pela mídia ocorre tardiamente, quando o avanço discursivo já foi feito. |
| Polarização Social | “Bananalização do Mal” de Hannah Arendt | A filósofa aponta que o mal se torna banal quando os indivíduos perdem a capacidade de pensar criticamente e passam apenas a cumprir ordens ou a reproduzir comportamentos sistêmicos sem refletir sobre as consequências. | O conceito é usado para mostrar como a agressividade e a desumanização do adversário político nos debates televisivos acabam por banalizar a intolerância na sociedade. |
O que não fazer ao usar debates políticos como repertório?
Alguns cuidados são fundamentais ao usar debates políticos como repertório na redação de um vestibular. Entenda:
- Manter a neutralidade: a redação não é o espaço para defender ou atacar um candidato ou partido. O foco deve ser o comportamento coletivo ou a estrutura do evento;
- Desenvolva seu argumento: citar que assistiu ao debate, por exemplo, não é o bastante, é preciso explicar o que o debate como argumento prova em relação à tese do seu texto;
- Respeite os Direitos Humanos: Independente de opiniões pessoais, a análise dos debates políticos na redação deve sempre prezar pela dignidade humana e a tolerância. Em alguns vestibulares, a nota da redação é zerada em caso de desrespeito aos direitos humanos.
Conquiste a aprovação estudando com o Estratégia Vestibulares
Quer fazer parte do time de aprovados do Estratégia Vestibulares? Além de oferecer aulas e revisões gratuitas no nosso canal no YouTube, a plataforma conta com cursos específicos para as bancas dos principais vestibulares do Brasil, e muito mais vantagens:
- Livros digitais;
- Correção ilimitada de redações;
- Fórum de dúvidas;
- Simulados com questões inéditas;
- Banco de Questões;
- Mapas mentais e muito mais.
Ficou interessado? Então, clique no banner e veja tudo sobre os cursos oferecidos pelo Estratégia Vestibulares!



