Danças primitivas e milenares: conceitos, importância e exemplos

Danças primitivas e milenares: conceitos, importância e exemplos

Descubra o que são as danças primitivas e milenares e como suas funções rituais e sociais podem ser cobradas no vestibular

A dança manifesta-se, desde os primórdios da humanidade, como uma linguagem que transcende o entretenimento para atuar como uma tecnologia de sobrevivência e coesão social. 

Para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e os principais vestibulares, é essencial compreender como essa expressão corporal evoluiu das práticas instintivas e rituais da Pré-História para sistemas técnicos e simbólicos complexos na Antiguidade, consolidando-se como o pilar de identidade e organização de civilizações inteiras.

Pensando nisso, o Portal Estratégia Vestibulares preparou este artigo completo para você entender o que são as danças primitivas e milenares e a sua importância, com exemplos. Confira!

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O que são as danças primitivas e milenares?

As danças primitivas e milenares representam as primeiras manifestações artísticas da humanidade que usam o próprio corpo como instrumento.

Elas se diferenciam entre si pela finalidade e organização: as danças primitivas surgiram na Pré-História como uma técnica de sobrevivência espontânea, ou seja, rituais coletivos em que a imitação da natureza e dos animais visava garantir ou celebrar o sucesso da caça, por exemplo. 

Por outro lado, as danças milenares são oriundas das grandes civilizações antigas, como Egito, Grécia e Índia, que institucionalizaram esses movimentos, transformando o instinto em técnica organizada, geométrica e hierárquica a serviço do sagrado e do Estado. 

No contexto primitivo, o corpo era o único instrumento através da percussão corporal e não havia divisão entre artistas e plateia, ao passo que as tradições milenares introduziram o acompanhamento instrumental, o rigor coreográfico e a profissionalização do dançarino. Isso consolidou a dança como uma linguagem cultural complexa que preserva a identidade e a história dos povos até os dias atuais.

O contexto Pré-Histórico

Na Pré-História, especialmente nos períodos Paleolítico e Mesolítico (9000 e 8000 a.C), a dança não possuía caráter de espetáculo, mas configurava-se como um meio de sobrevivência e coesão social. Isso porque, antes da invenção da escrita ou de sistemas complexos de linguagem, o corpo era considerado uma ferramenta primordial para a manipulação de variáveis ambientais e a interação com as forças da natureza.

Nesse contexto, os povos primitivos possuíam a crença de que “o semelhante atrai o semelhante”. Logo, o homem acreditava que, ao imitar um evento desejado, ele ganharia poder sobre a realidade.

Por exemplo, antes de uma caçada perigosa, a tribo poderia se reunir ao redor de uma fogueira, vestidos com peles e chifres. Então, os caçadores imitavam os movimentos do bisão ou do cervo, simulando o abate. Para eles, essa dança não era um ensaio, mas a garantia de que a caçada real no dia seguinte seria bem-sucedida.

A arte rupestre como prova visual

Essas práticas podem ser confirmadas por meio de das artes rupestres, em que os povos primitivos pintavam nas paredes das cavernas cenas que representavam as atividades de caça e seus rituais. 

Cavernas como as de Cogul (Espanha) e Bhimbetka (Índia), por exemplo, apresentam pinturas rupestres que mostram figuras humanas em fila ou em roda, com braços erguidos e pernas flexionadas em poses que sugerem ritmo e movimento coletivo.

Portanto, a dança era a maneira como o homem acreditava se relacionar com as forças da natureza: dançava-se para pedir chuva, celebrar a fertilidade, espantar doenças ou homenagear os mortos. 

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Painel de arte rupestre no Vale do Chambal, Índia, exibindo figuras em cena sugestiva de celebração ritual. Fonte: Wikimedia Commons / Domínio Público.

Coletividade e percussão corporal nas danças primitivas

Um detalhe crucial para entender as danças primitivas é o fato de que não existia plateia. Todos os membros da tribo eram participantes ativos das coreografias, pois a dança funcionava como um forte elemento de coesão social, que unia o grupo, fortalecendo a identidade coletiva necessária para enfrentar as ameaças do meio ambiente. 

Para sustentar esse movimento, a sonoridade era usualmente gerada pela percussão corporal, na qual o impacto dos pés contra o solo, o choque das palmas e as batidas no peito convertiam o corpo na primeira ferramenta rítmica da humanidade. 

Essa característica de integração e funcionalidade sobrevive nas danças folclóricas contemporâneas, que permanecem profundamente contextuais ao utilizarem essa gestualidade rítmica para narrar a vida cotidiana e expressar a visão de mundo de uma comunidade. 

As danças milenares nas civilizações

Com a sedentarização e o surgimento das grandes civilizações da Antiguidade, a dança deixou de ser puramente instintiva para se tornar uma expressão organizada, hierárquica, técnica e ligada diretamente à religião.

Egito Antigo

No Egito Antigo, a dança estava intrinsecamente ligada aos rituais funerários e ao culto aos deuses, como Hathor e Bés, associados à dança e à música. Bés é frequentemente chamado de “inventor da dança”, pois os egípcios acreditavam que ele afastava os maus espíritos durante o parto fazendo barulho e dançando.

Nos funerais, havia personagens denominados Muu (ou Mouou), que eram um grupo de dançarinos rituais masculinos especializados em cerimônias fúnebres. Essa prática tinha o objetivo de garantir que o falecido cruzasse a fronteira entre o mundo dos vivos e o reino dos mortos. 

Nesse contexto também surgiram as primeiras dançarinas profissionais que serviam nos templos e nos palácios, realizando espetáculos com precisão técnica.

Por meio dos afrescos e papiros, observa-se uma dança de linhas geométricas e angulares. O uso de braços em posições específicas e a realização de acrobacias complexas (pontes e saltos) eram comuns. 

Grécia Antiga

Na Grécia antiga a dança se fez presente em diversos contextos sociais cotidianos, como nas comemorações, nos ritos agrários, nos estudos filosóficos e, principalmente, na religião.

Nesse sentido, as danças dos rituais religiosos eram bastante heterogêneas, devido à variação regional, diversidade de divindades e cultos específicos. Os rituais mais conhecidos, contudo, são os dedicados a Dionísio e Apolo:

  • Danças Dionisíacas: por ser uma divindade grega associada ao vinho e à embriaguez, as danças eram frenéticas, desregradas e levavam ao êxtase coletivo. Além disso, os indivíduos costumavam pisar nas uvas enquanto dançavam para produzir o vinho (vinificação), processo considerado sagrado; e
  • Danças Apolíneas: inspiradas por Apolo, conhecido por ser o deus do sol, da música e da razão. Eram danças mais serenas, simétricas e ligadas à ordem. Refletiam o ideal grego de equilíbrio e harmonia.

Índia

Na Índia, a dança é uma das formas de arte mais desenvolvidas e estão relacionadas à mitologia e às crenças espirituais. Sua origem está especialmente nos templos onde era executada por bailarinos específicos, e, até o século VIII d.C., manteve-se intrinsecamente ligada à dramaturgia. 

A partir desse período, embora tenha ocorrido uma vasta diversificação regional, os estilos clássicos preservaram a tríade fundamental de elementos: o nritta (dança técnica e pura), o nritya (dança expressiva) e o natya (a representação dramática).

Dentre os elementos próprios da dança milenar indiana estão a figura de Shiva como o “Senhor da Dança” e as mudras, gestos simbólicos com as mãos que permitem a dançarina narrar histórias complexas sem dizer uma única palavra, unindo teatro e religião.

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A herança das danças milenares no Brasil

No Brasil, danças milenares de origem africana e indígena influenciaram fortemente a cultura do país.

Nas danças indígenas e africanas, o movimento corporal atua como um elemento estruturante das relações comunitárias, estando associado à manutenção de ritos e costumes ancestrais. Além disso, essas danças são utilizadas como meio para se relacionar com elementos da natureza e com os antepassados, bem como para celebrar ciclos da vida e realizar rituais fúnebres. 

Dessa forma, ao longo do tempo houve o desenvolvimento de diferentes formas de manifestação dessas danças milenares, a exemplo de:

  • Carimbó;
  • Coco alagoano;
  • Congada;
  • Dança do siriá;
  • Jongo;
  • Lundu;
  • Marabaixo;
  • Samba de roda;
  • Samba de matuto; e
  • Xaxado.

Questão de Vestibular sobre danças primitivas e milenares 

Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 

Essa forma de dança social (folclórica) desenvolveu-se como parte dos costumes e tradições de um povo que expressa sua manifestação cultural. Transmitida de geração a geração, é uma das formas de dança mais antigas, datando desde a época das culturas tribais evoluídas que estabeleceram ligação com as grandes civilizações da história da humanidade. A principal característica dessa dança é a integração, socialização, prazer, divertimento, respeito aos costumes e tradições.

HASS, A. N; GARCIA, A. Ritmo e Dança. Canoas, Ulbra, 2003 (fragmentado) 

As danças folclóricas, sendo uma expressão das diferentes manifestações da dança

a) distinguem-se das demais pelo refinamento técnico dos seus gestos e movimentos e pela complexidade dos seus elementos coreográficos.
b) compreendem expressões culturais brasileiras diversificadas como maracatu, o funk, a catira, o boi-bumbá, o hip hop e o baião.
c) são contextuais, pois seus gestos e coreografias fazem referência a situações da vida cotidiana e/ou expressam visões de mundo de uma comunidade.
d) possuem qualidades rítmicas e expressivas secundárias em relação aos significados sociais, culturais e representacionais.
e) reforçam tendências de massificação social e de dispersão de sentidos da vida comunitária, favorecendo a universalização de valores culturais.

Resposta:

As danças folclóricas são classificadas como contextuais porque seus movimentos não são aleatórios ou meramente estéticos, mas carregam significados específicos atrelados ao dia a dia e à história de um grupo. Logo, serve como uma ferramenta de preservação da visão de mundo e da identidade de uma comunidade.

Alternativa correta: C

+ Veja também: Dança de corte: contexto histórico, características e influências

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