Família Real Britânica: história, curiosidades e funções

Família Real Britânica: história, curiosidades e funções

Você conhece a Família Real Britânica? Veja a história na monarquia britânica, as regras, os eventos mais importantes e curiosidades

Reis, rainhas, príncipes e princesas: não é um conto de fadas da Idade Média, é a realidade da família real britânica, representados por personalidades importantes como as rainhas Elizabeth I e Elizabeth II, o rei Charles III e a princesa Diana (popularmente conhecida como Lady Di). 

Conheça mais sobre a história da família real da Inglaterra, desde sua formação, histórico, genealogia, características, regras de comportamento, residências mais famosas, eventos importantes e curiosidades. 

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História da família real britânica

A família real britânica é uma instituição muito antiga, que passou por diversos períodos históricos. Inicialmente, no século XVII, eles tinham grande importância nas decisões e discussões governamentais, com grande controle sobre os rumos da nação britânica.

Os reis poderiam opinar sobre a cobrança de impostos, atuar contra oposições, alterar quaisquer leis e abusar de seus poderes. Com a Carta Magna, o absolutismo perdeu espaço entre os ingleses: o povo instituiu regras para conter a autoridade do rei e dar lugar às vozes populares.

Atualmente, os monarcas britânicos assumem um papel simbólico, mais midiático, de forma que são secundários nos processos políticos e sociais do país. A maior parte das escolhas está sob o domínio do primeiro-ministro, que trabalha junto ao parlamento inglês, o que caracteriza o modelo de monarquia parlamentarista.

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Quais países a família real britânica rege?

Em primeiro lugar, a família real britânica cuida do Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte, que é composto por quatro países: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Além disso, o monarca britânico rege também quinze países da Comunidade das Nações (Commonwealth), que compartilham valores culturais semelhantes.

A falecida monarca, Rainha Elizabeth II, reinou sobre esses países por mais de 70 anos. Ela ultrapassou a marca de sua tataravó, que concluiu mais de 63 anos de reinado sobre a região. 

Quem são os membros da família real britânica?

A linhagem real é determinada a partir da proximidade com o monarca, a partir do rei Jorge VI — que foi imperador da Índia e chefe da Comunidade Britânica. São considerados, também, as questões de legitimidade e religião.

Para a continuidade da família real, são adicionados o cônjuge do monarca (todos eles, se forem mais de um), os filhos e filhas, além dos netos. Ao mesmo tempo, os maridos e esposas dos príncipes, assim como dos netos entram para a conta. 

No caso das mulheres, o título é conferido por casamento e elas não utilizam a nomenclatura como parte de seus nomes (diferentemente de “Príncipe Charles” ou “Rainha Elizabeth”). Inclusive, o modelo patriarcal é bem predominante nesse regime: se o rei tem um filho e uma filha, primeiramente o homem será o herdeiro do trono, sucedido por sua irmã. No caso de o príncipe possuir um filho, a princesa (mesmo sendo filha do rei) perde seu lugar na sucessão. 

Observa-se ainda que, anteriormente, o Príncipe de Gales faria a manutenção da genealogia real da seguinte forma: o filho mais velho de seu filho homem primogênito seria membro da realeza. 

Em 2012, porém, a monarca Elizabeth II, também conhecida como Rainha Isabel II, em português) decretou que todos os netos provenientes do filho mais velho do Príncipe de Gales são parte da família real britânica. 

Antes do falecimento da Rainha, em 2022, isso significava que todos os filhos de William eram considerados membros reais. Agora, as relações familiares mudaram e Willian é o próximo príncipe de Gales e herdeiro do trono britânico.

Perceba, também, que as posições reais são relativamente fluidas. Falecimentos, como o que ocorreu com a rainha Elizabeth II, são determinantes para que outras pessoas ascendam na linhagem real.

Qual era o papel dos membros da coroa britânica antigamente?

Mesmo após as mudanças estruturais que ocorreram com a Carta Magna, a família real da Inglaterra participou do apaziguamento e mediação de conflitos em diversas partes do globo terrestre. 

Inclusive, a Rainha Elizabeth II construiu um longo reinado que atravessou problemas de grande magnitude: o pós-Segunda Guerra Mundial, o período de tensão da Guerra Fria, o crescimento dos ataques terroristas, entre outros eventos relevantes.

Qual o papel da coroa real atualmente?

Bom, com todas essas regras de sucessão e toda a repercussão que o assunto causa, é importante entender qual o papel dos reis e rainhas da Inglaterra. 

A verdade é que, nos dias atuais, a família real britânica é um elemento cultural. A presença deles é uma tradição cultural do país, marcada, por exemplo, pelo hino “God Save The Queen”, que significa “Deus salve a rainha”, e que, com a morte de Elizabeth, passa a ser cantado como “God Save The King”, em referência a Charles III, seu filho e herdeiro natural do trono.

Pesquisas apontam que mais da metade da população inglesa apoia o regime monárquico parlamentarista, ainda que os cidadãos paguem pela manutenção das riquezas da coroa.

O turismo da região britânica se dá, em grande parte, devido aos tradicionalismos em torno da monarquia. A troca de guardas em frente ao castelo de Buckingham é um evento que turistas do mundo inteiro querem acompanhar e, em buscadores online, a pesquisa “como ver a rainha em Londres” é muito famosa.

Além de muita pompa e ostentação, os membros da realeza se dedicam à organização de eventos e instituições de caridade. Cada pessoa tem uma função específica. Esse papel, além de ter uma grande importância social, confere uma imagem boa para a família, o que perpetua sua posição de prestígio popular.

Diante de tal imponência social, a coroa real pode aparecer durante negociações — não como organizadores do processo, mas como uma “abertura de portas” para o desenvolvimento das ideias.

Uma coisa que a família real britânica faz muito é viajar ao redor do mundo todo, participando de muitas festas e reuniões. Geralmente, o príncipe, princesa ou outras personalidades reais são enviadas para representar o monarca — papel agora representado pelo rei Charles III.

Inclusive, os reis ou rainhas que estão no trono têm o poder de interferir nas leis, até mesmo vetá-las. Entretanto, algo desse tipo não acontece há mais de trezentos anos, o que evidencia o distanciamento da linhagem com as questões políticas e econômicas, principalmente.

Principais líderes da família real britânica

Os reis da família real britânica são numerosos, por isso vamos listar os líderes mais relevantes em termos políticos, econômicos e/ou sociais. 

Alfred, O Grande governou durante a Idade Média e foi importante para o fortalecimento e unificação do reino inglês. Seu reinado foi marcado por grande preocupação cultural, como literatura e ensino — pontos diferenciais para a época e que são essenciais para o desenvolvimento de uma nação.

O famoso rei Ricardo, Coração de Leão, tinha um grande impulso militar, de onde vem seu pseudônimo. Sua inteligência e pensamento estratégico chamavam atenção desde a juventude e participou da Terceira Cruzada, quando venceu os muçulmanos.

O rei Henrique V, que governou entre 1413 e 1422 teve uma trajetória importante. O homem não seria um herdeiro direto do trono, com baixas probabilidades de ascender ao reinado. Entretanto, as estratégias de seu pai para a tomada do governo foram suficientes para que, aos 16 anos, Henrique V se tornasse o Príncipe de Gales.

Um dos eventos e líderes mais citados na história da família real britânica é a conflituosa relação entre Ana Bolena, Catarina de Aragão e o rei Henrique VIII.

A princípio, Henrique VIII estava unido em matrimônio com Catarina de Aragão, que era até então princesa do reinado espanhol. No meio do percurso, o monarca se apaixonou por Ana Bolena e resolveu dissolver seu casamento. Conforme a tradição católica, divórcios não seriam aceitos e, aqui, acontece um dos rompimentos mais importantes da religião cristã: o nascimento da Igreja Anglicana, em meio aos processos de Reformas Religiosas que já ocorriam no século.

Fato é que o casamento de Ana Bolena e Henrique VIII não foi bem sucedido, com duração de pouco mais de dois anos. O rei se apaixonou por outra mulher e, por fim, a rainha foi acusada de adultério e outras transgressões punitivas, quando foi executada sob ordens do monarca.

Esse rei não gerou filhos homens, então, sua única filha, Maria, assumiu o trono na ocasião da morte de Henrique VIII. Católica assídua, a rainha lutou para a conservação dos valores católicos e a dissolução do protestantismo. Diante disso, seu apelido foi Maria Sangrenta, porque perseguiu, violentou e executou os protestantes.

A genealogia bagunçada de Henrique VIII não para por aqui. A próxima rainha, Elizabeth I (ou Isabel I) também é filha desse monarca, do seu casamento com Ana Bolena. Tecnicamente, a menina não teria direito ao trono, já que o casamento de seus pais fora anulado. Apesar disso, as investidas políticas favoreceram Elizabeth I, que foi sucessora de Maria Sangrenta.

Seu reinado teve grande valor cultural, pois nomes como William Shakespeare ascenderam na sociedade britânica durante esse período.

Vamos continuar falando de líderes mulheres importantes? A rainha Vitória foi uma figura importante na história britânica, de onde surgiu o termo “Era vitoriana”, que durou entre 1837 e 1901. Sua popularidade foi grande, tendo sido coroada como imperatriz da Índia. Os valores morais, a estética da Idade Média e o Romantismo marcaram o reinado da Rainha Vitória. 

Com um governo longo (63 anos) e uma quantidade de filhos considerável, 9 herdeiros, Vitória ficou conhecida como avó da Europa. Sua figura aparece na árvore genealógica de muitas famílias reais espalhadas por todo o continente. Fica a dúvida de qual será a continuidade do apelido agora que Elizabeth II perpetuou um reinado de maior duração.

A família real britânica é repleta de “reviravoltas” para a ascensão do trono. Por exemplo, o rei George V teve dois filhos: Edward e George. Após a morte do rei, o primogênito assumiu o trono mas resolveu não prosseguir na função — abriu mão das regras reais para viver um amor com uma mulher estadunidense divorciada.

Todo esse cenário favoreceu para que George VI ganhasse o título de rei da Inglaterra. Vivendo um reinado em meio a Segunda Guerra Mundial, o monarca faleceu em 1952 — o trono ficou sob os domínios de sua filha primogênita: Elizabeth II.

Também chamada de rainha Isabel II, ela assumiu o trono aos 25 anos, ficando no governo até os 96 anos, quando faleceu, em 8 de setembro de 2022. Veja, foi um reinado de longa duração e comemorou um jubileu de platina (70 anos de reinado) no ano de sua morte. 

Ela foi casada com Philip, duque de Edimburgo, por muitos anos — que faleceu pouco tempo antes dela: em abril de 2021.

Curiosidades sobre a família real britânica

As regras de etiqueta e comportamento são uma das principais marcas da família real britânica.

Primeiramente, os monarcas precisam adotar uma postura política neutra, sem tendências para direita ou esquerda, por exemplo.

O rei e/ou a rainha são as figuras mais importantes, então, em uma refeição eles devem reger o ritmo: quando os monarcas terminam de se alimentar, todos os outros devem parar de comer também. 

A ideia é a mesma para os visitantes que vão dormir no castelo do rei: os convidados só podem dormir depois do monarca.

Outro ponto interessante é que, em todas as viagens que fazem, os membros devem carregar roupas pretas — para possíveis ocasiões de luto. Para eles isso é importante para que, desde o momento da primeira notícia, todos se manifestem em público com profunda tristeza pelo falecimento de um membro real. 

Inclusive, membros que estão diretamente relacionados com a ascensão real — atualmente o príncipe William e seu filho mais velho — não podem viajar no mesmo veículo sem a autorização da monarca. Essa regra impede uma crise de sucessão, na tentativa de evitar uma morte de muitos herdeiros diretos do trono.

As regras de vestimenta e postura são muitas: os membros da coroa real devem admitir uma postura firme e ereta, com o queixo erguido e transmitindo confiança. As mulheres devem estar de chapéus em eventos oficiais, podendo trocá-los por tiaras, apenas após as 17h.

Nos casamentos, a tiara pode ser utilizada pela noiva no momento da cerimônia. Inclusive, as flores do buquê são escolhidas a dedo, para garantir que tenha uma planta semelhante àquela que foi utilizada pela Rainha Vitória, muitos anos atrás.

Quanto aos meninos reais, devem utilizar shorts até os oito anos de idade. A partir de então, passam a usar calças completas — um tradicionalismo de mais de três séculos.

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