A sintaxe textual é tudo aquilo que abarca elementos que alteram, significativamente, a noção de produção do texto, ou, ainda, sua compreensão.
O estudo e domínio desse assunto é extremamente importante para resolver questões de língua portuguesa e, sobretudo, para elaborar uma boa redação, sendo que dela obtém-se uma porcentagem significativa da sua nota no vestibular.
Continue lendo, pois a Coruja preparou um conteúdo repleto de dicas, exemplos e conceitos-chave para entender como funciona a sintaxe textual e como ela se articula dentro das frases e na geração de sentido.
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Frase, oração e período: quais as diferenças?
Frase é um enunciado que apresenta, necessariamente, sentido semântico completo. Pode ser verbal, quando apresenta, literalmente, um verbo, ou nominal, quando apresentam-se sem verbos.
Exemplos:
- Cuidado! (Frase nominal)
- Silêncio! (Frase nominal)
- Cheguei cedo demais ao trabalho hoje. (Frase verbal)
As frases verbais realmente coincidem com os períodos e com algumas orações. Não há erro nisso, é uma correspondência natural.
Oração é um enunciado verbal que contém, obrigatoriamente, uma forma verbal (verbo ou locução verbal). A ideia das orações é a de que elas não precisam, necessariamente, ter sentido sintático completo.
Exemplos:
- Eles saíram muito cedo hoje. (Uma oração)
- Encontramos Maria e perguntamos por sua mãe. (Duas orações)
Período é um enunciado que apresenta sentido completo (sintática e semanticamente), sempre formado por, ao menos, uma oração (há, então, ao menos uma forma verbal). Apresenta início e fim gramatical (inicia-se com letra maiúscula e encerra-se com ponto forte — ponto final, de interrogação ou exclamação). O período pode ser simples, com somente uma oração; ou composto, com duas orações.
Exemplos:
- Os cachorros estavam loucos no sofá. (Período simples)
- Os cachorros correram e brincaram durante horas. (Período composto)
Esse assunto, inclusive, se conecta diretamente com o artigo sobre sintaxe do período composto, escrito anteriormente pela equipe da Coruja. Fica a dica de leitura.
Como identificar sujeito e predicado
De forma geral, podemos entender que o sujeito é o elemento a quem o
predicado se refere, dado que temos verbos que não são de ação. Além disso, usualmente, ocupa a primeira posição da oração. Ou seja, via de regra, aparece anteposto ao verbo, ainda que possamos ter a relação de posicionamento posposto ao verbo, por meio de um hipérbato.
Inicialmente, analisamos o sujeito com a ideia de ser determinado, não determinado
ou, ainda, inexistente. Sendo o determinado aquele que pode ser percebido pela presença de núcleos ou no contexto/desinência verbal; o indeterminado, um sujeito existente, mas não passível de identificação sintática; e o inexistente, aquele que de fato não existe, literalmente. O verbo não selecionará sujeito nesse caso.
Testes para identificação de sujeito
Pronominalização: é a transformação do sujeito em um pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós e eles). No caso, tudo o que for “para dentro do sujeito” é classificado como sujeito.
Exemplo:
- Os alunos do Henrique são extremamente dedicados. (Eles são extremamente dedicados.)
Topicalização: é colocar o termo na posição inicial da oração (colocando-o em evidência), com a construção expletiva “é que”, e suas variações. O termo que vai para a posição entre o verbo e o conectivo na expressão é o sujeito (ou qualquer outra função).
Exemplo:
- Chegaram atrasados os professores e os alunos. (Foram os professores e os alunos que chegaram atrasados.)
Troca de concordância: a dica aqui é trocar o número do que se suspeita ser o sujeito, para que tenhamos mudança de concordância verbal.
Exemplo:
- Os meninos bonitos da escola sempre fazem muito sucesso. (O menino bonito da escola sempre faz sucesso.)
Sujeito Simples
O sujeito simples é aquele que possui apenas um núcleo, ou seja, uma única palavra principal que desempenha essa função na oração. Esse núcleo geralmente é um substantivo ou um pronome.
Exemplo:
- “O cachorro latiu a noite inteira.”
O sujeito da oração é “O cachorro”, e seu núcleo é “cachorro”, caracterizando um sujeito simples.
Sujeito composto
O sujeito composto é definido como sendo aquele que apresenta dois ou mais núcleos, logicamente substantivos ou termos equivalentes.
Exemplo:
- A menina, o menino e os amigos foram convidados para a festa.
Temos, nesse caso, três núcleos, destacados em negrito.
Sujeito oculto, desinencial ou elíptico
Neste caso, o sujeito é aquele que não está expresso na oração, mas pode ser identificado pelo contexto ou pela desinência verbal.
Exemplo:
- “Fomos ao cinema ontem.”
O sujeito não está explícito, mas pelo verbo “fomos”, sabemos que se refere à primeira pessoa do plural (nós), caracterizando um sujeito oculto.
Já o predicado é a parte da oração que contém a informação sobre o sujeito, normalmente incluindo o verbo e seus complementos. Pode ser classificado como verbal (quando o núcleo é um verbo), nominal (quando indica estado ou característica do sujeito, com um predicativo) ou verbo-nominal (quando há ação e característica ao mesmo tempo).
Exemplo:
- “O aluno estudou para a prova.”
O predicado é “estudou para prova”, e seu núcleo é o verbo “estudou”, caracterizando um predicado verbal.
Coesão e coerência na sintaxe textual
A coesão textual é responsável pela conexão entre as partes do texto, garantindo fluidez e clareza na comunicação. Ela é construída por meio de diferentes mecanismos linguísticos, como conjunções, pronomes e outras ferramentas que organizam as ideias de forma lógica e articulada.
Conjunções
As conjunções conectam orações e estabelecem relações de sentido entre elas. Algumas das principais são:
- Aditivas: adicionam informações. Exemplo: e, nem, não só… mas também;
- Adversativas: indicam contraste. Exemplo: mas, porém, contudo, entretanto, todavia;
- Causais: expressam motivo ou causa. Exemplo: porque, visto que, já que, uma vez que;
- Consecutivas: mostram consequência. Exemplo: portanto, logo, assim, de modo que;
- Condicionais: indicam condição. Exemplo: se, caso, desde que, contanto que;
- Conclusivas: introduzem uma conclusão. Exemplo: portanto, logo, então; e
- Explicativas: justificam a ideia anterior. Exemplo: porque, pois, ou seja.
Pronomes
Os pronomes garantem coesão referencial, evitando repetições e assegurando que o leitor compreenda a quem ou a que o texto se refere. Alguns exemplos são:
- Pessoais: ele, ela, nós (retomam sujeitos já mencionados);
- Demonstrativos: este, esse, aquele (situam elementos no tempo e no espaço); e
- Relativos: que, o qual, cujo (introduzem orações subordinadas e evitam repetições).
Outros recursos de coesão
- Sinônimos e hiperônimos: evitam repetições. Carro/veículo, casa/residência;
- Elipse e substituição: omitem ou trocam termos já mencionados. Henrique gosta de música. Ele toca guitarra; e
- Marcadores discursivos: estruturam a progressão textual. Primeiramente, além disso, por fim.
O uso adequado desses elementos melhora a coesão do texto, tornando a leitura mais agradável e facilitando a compreensão da mensagem. Por isso, saber usar esses recursos é tão importante, e isso acontece na medida em que praticamos exercícios e escrevemos redações, por exemplo.
+Veja também: Redação — construindo o texto a partir da sintaxe
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