Redação nota 1000: leia 6 redações do Enem 2025
(Foto: Angelo Miguel/MEC)

Redação nota 1000: leia 6 redações do Enem 2025

Veja algumas redações nota 1000 do Enem 2025; tema escolhido foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”

A tão sonhada nota 1000 na redação do Enem é uma meta ousada, mas possível. O Enem 2025 trouxe o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira“, em um momento de crescimento da população idosa do Brasil, o que gera novos desafios e problemáticas.

Para participar do restrito clube das redações notas 1000, é preciso compreender o funcionamento da redação do Enem e garantir que você domine as técnicas necessárias para alcançar uma nota alta, e também consiga desenvolver os repertórios socioculturais essenciais para produzir uma boa redação independentemente do tema determinado pela banca.

Se você acompanha conteúdos sobre o Enem, sabe muito bem que a redação corresponde a um quinto da nota final. Ou seja, uma boa nota no Enem, passa por produzir uma boa dissertação, já que ela vale o mesmo que um dos outros quatro cadernos de questões da prova.

Por isso, ler e analisar as redações nota 1000 das edições anteriores ajuda a aprender quais foram os pontos positivos de cada candidato e descobrir como adaptar isso ao seu modelo de redação e ao tema proposto pela banca.

Para te ajudar, o Portal Estratégia Vestibulares trouxe 6 redações que tiraram a nota máxima na última edição do Enem, o Enem 2025. Além disso, confira também outros conteúdos sobre o tema, como comentários dos professores de Redação do EV e os textos utilizados como base para a proposta da banca. Bora começar a estudar?

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Redações nota 1000 do Enem 2025

Caio Silva Braga, de Recife (PE)

Em “O Karaíba”, o autor indígena Daniel Munduruku traz narrativas dos povos originários no Brasil pré-cabralino. Nessa obra, ele retrata elementos característicos das culturas e dos costumes das comunidades tradicionais, como o respeito aos mais velhos e à sua sabedoria. Nesse contexto, é nítido que a perspectiva dos personagens do livro não reflete a forma como a sociedade brasileira enxergou o envelhecimento ao longo do tempo, tampouco as tendências mais modernas disso.

Historicamente, no Brasil, envelhecer é um privilégio, não um direito. Isso é evidenciado por estratégias de manutenção da ordem social implementadas pelas elites, como a promulgação da Lei do Sexagenário — uma das leis pré-abolicionistas, que libertava escravizados maiores de sessenta anos. Ao contrário do senso comum, que vê essa medida como uma conquista para eles, a historiografia entende que essa medida não tinha intenções reais de oferecer liberdade a essas pessoas, pois suas expectativas de vida eram baixíssimas. Nesse cenário, portanto, envelhecer não era uma oportunidade para todos os brasileiros, mas um privilégio de alguns.

Por outro lado, correntes contemporâneas de pensamento colocam os idosos e o envelhecimento em outras posições: de enfrentamento ao etarismo, de atividade física e econômica e de engajamento político e social. Um exemplo disso é o filme estrelado por Fernanda Montenegro, em 2025, “Vitória”, em que a atriz interpreta uma senhora em uma comunidade periférica no Rio de Janeiro e expõe suas denúncias contra a violência e o tráfico onde vive. Sob essa óptica, a figura do idoso deixa um espaço de fragilidade e impotência e passa a assumir protagonismo de sua própria vida.

Dessa forma, tendo em vista as múltiplas perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de iniciativas de capacitação e autonomia para idosos — como o “projeto envelhecer” do Cin-UFPE, que os ensina a conviver no ambiente digital — atue na formação dessas pessoas para que resgatem sua independência bem.

Lucas Rodrigues, de Lauro de Freitas (BA)

O livro “A casa dos budas ditosos”, escrito pelo baiano João Ubaldo Ribeiro, conta a história de CLB, uma idosa que, enfrentando estereótipos associados à velhice, mantém-se ativa e se recusa a encarar a senescência como fim. Para além da literatura, contudo, são outras as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira: cada vez mais há idosos doentes, invisibilizados e inativos. Nesse sentido, estabelece-se um cenário hostil, sustentado pelo Estado e pelas empresas, que prejudica a qualidade de vida e acelera a morte. À vista disso, tanto o descaso estatal quanto a má conduta do setor privado impulsionam esse problema.

Sob essa lógica, convém destacar a negligência do Estado como agravante dessa problemática. Isso ocorre, porque tal instituição não oferece políticas públicas em quantidade e eficiência suficientes para os idosos, comprometendo a sua qualidade de vida. Acerca disso, Achille Mbembe, filósofo camaronês, afirma, a partir de seu conceito de “Necropolítica”, que o Estado decide quem vive e quem é destinado a um projeto de morte. Nesse rumo, percebe-se que a ideia do filósofo é autêntica e aplicável ao contexto do envelhecimento na sociedade brasileira, uma vez que, devido à composição hegemônica do corpo político (deputados e senadores majoritariamente distantes dos 65 anos, isto é, alheios à realidade da velhice), são escassas as políticas públicas, como a garantia de equipes especializadas em geriatria nas UBS, destinados a esse público. Em efeito, sem, por exemplo, enfermeiros e médicos em quantidade e capacitação adequados nos sistemas públicos de saúde, os idosos, cada vez mais, sobrevivem sem condições dignas de vida. Dessa forma, fica claro que a parcialidade na distribuição de qualidade de vida, cometida pelo Estado e criticada por Mbembe, é nociva ao bom envelhecimento dos cidadãos do Brasil.

Outrossim, cabe analisar a má conduta das empresas como fortalecedora dessa questão. Afirma-se isso, pois grande parte do setor privado não se preocupa com a senescência dos funcionários, acelerando a sua morte. Sob tal contexto, Jim Collins, empresário norte-americano, afirma que a mentalidade empresarial é egoísta e gananciosa. Nesse viés, a afirmação de Collins é verdadeira, já que, pela motivação gananciosa de maximizar seus lucros, muitas empresas não garantem uma vida ativa aos seus colaboradores idosos, deixando, por exemplo, de investir em programas como o “Gympass” (um plano que dá acesso a diversas academias e atividades esportivas). Por conseguinte, esses cidadãos, muitos sobrecarregados com jornadas exaustivas de trabalho, acumulam comorbidades, a exemplo da obesidade ou doenças psíquicas, como a ansiedade, o que pode acelerar a sua morte. Dessa maneira, é evidente que a conduta egoísta das empresas, exposta por Collins, prejudica o envelhecimento dos brasileiros.

Portanto, devem ser resolvidas a negligência estatal e a má conduta do setor privado enquanto obstáculos para o envelhecimento de qualidade no Brasil. Com essa finalidade, é preciso que o Estado, principal idealizador e aplicador das políticas públicas do país, por meio de parceria com o setor privado, crie políticas públicas mais assertivas e direcionadas à terceira idade, com foco em saúde e atividade física, a fim de garantir um envelhecimento ativo e, consequentemente, mitigar esse problema. Assim, a perspectiva acerca da resistência na sociedade brasileira se aproximará da perspectiva de CLB.

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Laryssa Melo, de Fortaleza (CE)

A Constituição Federal de 1988 garante a todos os brasileiros o direito ao respeito e à dignidade humana, incluindo os idosos. Entretanto, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, as quais são, em sua maioria, negativas, podem contrariar o texto constitucional. Isso ocorre devido à escassez de fiscalização e ao preconceito e deve, pois, ser alterada urgentemente.

De início, vale destacar que a escassez de fiscalização é uma grave falha estatal. Nesse sentido, cabe referenciar a Lei Orçamentária Anual (LOA), a qual indica quanto deve ser investido em cada setor, priorizando algumas áreas e subfinanciando outras. A exemplo destas, cabe citar o ramo de fiscalização, com destaque para o cumprimento de leis que priorizam o idoso, o qual recebe somente cerca de um por cento de verbas para seu funcionamento, o que compromete a qualidade de seus serviços. Essa precarização pode ser vista na falta de profissionais especializados nesse setor e no não envio constante de fiscalizações para locais necessitados da atividade, por exemplo. Muitos lugares, como “shoppings” e mercados possuem, por lei, vagas exclusivas para pessoas com mais de sessenta anos e filas prioritárias. No entanto, muitas vezes, tais normas são desrespeitadas tanto por clientes, quanto por funcionários, os quais, sem a devida vigilância, continuam a infringir leis que asseguram os direitos dos mais velhos, demonstrando uma perspectiva negativa acerca do envelhecimento populacional. Urge, então, uma mudança nesse cenário adverso.

Ademais, o preconceito contra anciãos, denominado etarismo, agrava o problema. Nesse contexto, cabe fazer menção ao pensamento de Albert Einstein, segundo o qual é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Tal premissa se verifica na sociedade brasileira na medida em que grande parte da população possui uma visão inadequada acerca dos idosos, percebendo-os como incapazes e fracos para realizar qualquer atividade e compromisso, o que acarreta a não aceitação, muitas vezes, de pessoas com idade mais avançada no mercado de trabalho e a apropriação de renda do idoso por parte dos familiares, por exemplo. Assim, há o predomínio de uma perspectiva errônea e prejudicial quanto ao envelhecimento da sociedade. Logo, é necessária a reversão dessa conjuntura brasileira.

Portanto, cabe ao governo do Brasil, responsável pelo bem-estar social, promover uma melhoria nos serviços fiscalizatórios por meio de maiores investimentos nesse setor, a fim de que as leis e as normas que garantem os direitos dos maiores de sessenta anos sejam devidamente cumpridas. Além disso, cabe ao Estado realizar campanhas sobre as perspectivas positivas do envelhecimento, com o fito de que as ideias equivocadas sobre os idosos sejam desfeitas rapidamente.

Wellington Ribeiro, de Recife (PE)

Na obra “Feliz aniversário, a escritora Clarice Lispector aborda, dentre outros aspectos, a realidade de exclusão vivenciada por grande parte dos idosos brasileiros, os quais, de acordo com a autora, só são lembrados por seus familiares em datas comemorativas. Ao transpor o viés literário, percebe-se a acentuação dessa problemática, a qual aborda a falta de perspectiva social perante ao envelhecimento existente no Brasil contemporâneo. À vista desse conceito, é ideal analisar o passado nacional e o descaso governamental como desafios para a plena longevidade da sociedade.

Diante desse cenário, nota-se que a dificultosa promoção de um futuro digno à terceira idade advém de um processo de desenvolvimento nacional pautado na exclusão socioespacial. Isso pode ser constatado, de forma evidente, pois o país, desde o período do Brasil Colônia, foi construído por práticas violentas (como a promulgação da Lei dos Sexagenários), as quais visavam à marginalização de escravizados com mais de 60 anos em detrimento da inserção respeitosa dessa parcela da população no cotidiano brasileiro. Nesse sentido, essa atitude segregacionista mascara, há gerações, a necessidade de reverter esse revés e naturaliza, nos dias atuais, o silenciamento desenfreado dos idosos, produzindo culturalmente a ideia de inferioridade desse grupo. Assim, torna-se inegável o contínuo retrocesso da nação a cerca do reconhecimento da velhice como importante e inevitável, à medida que a manutenção de raízes históricas degradantes existe.

Ademais, é fundamental ressaltar que a negligência estatal perpetua a aversão social ao inerente envelhecimento populacional. Essa questão se intensifica, na atualidade, ao passo que o Brasil não possui uma campanha nacional concreta e eficaz de estímulo à qualidade de vida da terceira idade. Tal panorama foi estudado pelo pesquisador Ruy Braga, o qual, a partir de uma perspectiva crítica voltada à realidade latino-americana, verbaliza que a ausência de um modelo assistencial inclusivo e socialmente comprometido permite o não reconhecimento dos idosos como integrantes ativos da sociedade. Sob essa ótica, o posicionamento do estudioso é válido, visto que políticas públicas ineficientes possibilitam a precarização do bem-estar da terceira idade, de modo a qualificar essa faixa etária como pouco importante para a edificação da nação – suprimindo o seu futuro salutar. Por isso, essa situação hostil precisa ser revertida.

É premente, portanto, uma medida que perpetue perspectivas positivas ao envelhecimento populacional. Logo, cabe ao poder Executivo Federal — mais especificamente ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania — fomentar o respeito à terceira idade. Tal ação ocorrerá por meio da criação do “Projeto Nacional Vida Feliz”, o qual engajará debates públicos — ministrados por idosos —, nos 5570 municípios brasileiros, a fim de desmistificar ideais advindos da colonização do Brasil e de protagonizar a atuação de pessoas idosas no combate direto e frontal à marginalização sofrida por elas, culminando na promoção da dignidade a essa parte da sociedade. Afinal, não é aceitável que, em um país democrático, a população envelhecida seja, como denunciado por Clarice, invisibilizada.

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Rodrigo Fortes, de Salvador (BA)

O filme “O agente secreto”, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, apresenta a Dona Sebastiana, uma carismática mulher idosa e dona do Edifício Ofir, que é um prédio em que refugiados políticos da Ditadura Empresarial-Militar do Brasil são abrigados. Nesse espaço, os moradores vangloriam a Sebastiana e a enxergam como a “guardiã” do local. No entanto, contrariando essa visão positiva da figura da velhice roteirizada por Kleber, para além das telas, a sociedade brasileira tem lido o envelhecimento de modo desrespeitoso e violento. Acerca disso, verifica-se que a mídia de massa e as famílias são as principais responsáveis por essa perspectiva etarista, o que compromete a saúde mental e a saúde financeira desse grupo. Logo, deve-se analisar a influência midiática e a lacuna familiar nesse cenário cruel.

Sob esse prisma, culpa-se a influência negativa da mídia por tal mazela idadista. Afirma-se isso, pois diversas produtoras audiovisuais estereotipam a velhice em suas obras, prejudicando o estado psicológico de quem está nessa fase da vida. A esse respeito, o cineasta brasileiro Marcos Magalhães, em seu curta-metragem “Meow”, denuncia o fato de a indústria midiática moldar padrões de pensamentos dentro do corpo social. Frente a essa crítica cinematográfica, vê-se que a realidade do Brasil confirma tal denúncia, já que muitas são as emissoras e produtoras de televisão e de cinema que, em série, em filme se em novela, retratam personagens idosas de maneira estigmatizada, ou seja, fora de papéis de protagonismo e dentro de roteiros limitados ao “ser velho”, isto é, ser frágil e “descartável”, moldando a perspectiva acerca do envelhecimento dos telespectadores. Esse processo de construção da imagem do idoso na mídia vai de encontro à dinâmica de construção da imagem do jovem (geralmente, representado como protagonista, forte e essencial para a trama), afinal, o objetivo é atrair a audiência desse público, o qual costuma ser muito engajado nas redes sociais, gerando mais visibilidade às produções (com seus comentários) e, claro, mais lucro. Em efeito, a partir dessa visão de “descartabilidade” que a mídia molda, produz, e reproduz, conforte alerta Magalhães, várias pessoas idosas, fora das telas, são vistas e tachadas como inúteis (uma espécie de “peso” para a sociedade), sofrendo violências verbais nesse sentido, as quais abalam seu estado psíquico e geram quadros depressivos.

Além disso, vale responsabilizar a postura familiar por esse triste panorama. Tal responsabilização é necessária, porque, infelizmente, é comum que familiares não possibilitem o letramento digital para os mais velhos, fragilizando sua saúde econômica. Seguindo esse raciocínio, Virginia Satir, psicoterapeuta referência nos estudos da terapia familiar, afirma que a família precisa assumir a sua função de formar e de reformar o indivíduo, para que ele seja, positivamente, inserido nas engrenagens sociais. Contudo, quando os idosos não recebem instruções quanto ao uso de aparelhos tecnológicos no ambiente doméstico, por exemplo, quanto à utilização do celular para acessar bancos digitais e à navegação nas redes sociais para identificar possíveis mensagens suspeitas (como de golpistas estelionatários) recebidas, a afirmação de Satir é desconsiderada, haja vista a violenta perda da função “reformadora” citada. Nessa lógica, entende-se que essa conduta reprovável é motivada pela concepção equivocada (fomentada pelo discurso midiático supracitado) de que os idosos não precisam “avançar” em seus conhecimentos, mas, na verdade, somente esperar pelo momento de seu “descarte” — a morte. Por conseguinte, ao se reforçar o contraste à ideia de Satir, o envelhecimento se torna uma fase, cada vez mais, excluída digitalmente, o que faz com que diversos idosos não consigam gerir as próprias contas bancárias (por desconhecerem o funcionamento dos bancos digitais) e, ainda, sejam vítimas de golpes virtuais (por não entenderem a dinâmica da internet), tendo, assim, a saúde financeira e o bem-estar afetados.

Portanto, a manipulação midiática e a falha familiar, frente às perspectivas acerca do envelhecimento no Brasil, devem ser combatidas. Com essa finalidade, as emissoras e produtoras de televisão e de cinema (por exemplo, a Globo e a Vitrine) precisam produzir séries, filmes e novelas em que personagens idosas são essenciais para a trama e não são estereotipados negativamente (como a Dona Sebastiana, em “O agente secreto”), por meio do substancial direcionamento de verbas a essas produções, a fim de reduzir a estigmatização da velhice na mídia. Ademais, as famílias têm de letrar digitalmente os idosos, com o objetivo de que eles não sejam excluídos do universo tecnológico. Desse modo, consequentemente, a visão respeitosa do envelhecimento, escrita por Kleber, será uma realidade.

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Carlos Eduardo Gomes dos Santos, de Mombaça (CE)

O sociólogo e professor Boaventura de Sousa Santos afirma que a sociedade vive uma “sociologia das ausências”, uma vez que os saberes e o modo de vida de determinados grupos tendem a ser invisibilizados por não se encaixarem na lógica da racionalidade ocidental. Nesse sentido, ao analisar o hodierno contexto brasileiro, é perceptível que a população idosa é marcada pela sociologia defendida pelo professor, já que o envelhecimento desses indivíduos testemunha um descaso social de desassistência e preconceito, marcado por perspectivas que dificultam a qualidade de vida e a inclusão social. Por isso, urge uma discussão sobre essa problemática, a qual é sustentada não só pela negligência estatal, mas também pela omissão midiática.

Diante desse cenário, faz-se mister mencionar a ausência de políticas públicas de saúde para a população idosa como um dos fatores dessa estigmatização. Nessa ideia, verifica-se que esse panorama é facilmente encaixado no conceito de “necropolítica”, descrito pelo filósofo Achille Mbembe para explicar o poder do Estado de decidir quem pode viver e quem deve morrer. Partindo dessa lógica, o “deixar morrer” é visível quando se observa a realidade de milhares de idosos na comunidade brasileira, haja vista que a omissão dos órgãos estatais afeta a qualidade de vida, evidenciada pelo não destino de verbas que garantam o desenvolvimento de atividades físicas e interativas nos Centros de Referência Especializado e de Assistência Social (CREAS), além da ausência de campanhas preventivas, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), para doenças que acometem essa idade, como diabetes e hipertensão. Consequentemente, perpetua-se uma sociedade que marginaliza o envelhecimento e que sofre com os impactos causados por essa desassistência: o aumento de doenças e, com isso, o aumento de gastos públicos. Logo, fica clara a necessidade de reformular essa postura do Estado urgentemente.

Outrossim, é válido destacar, também, que a inexistência de abordagens midiáticas sobre a importância do envelhecimento configura-se como uma das causas desse imbróglio. Segundo o filósofo estadunidense Noam Chomsky, em sua obra “A fabricação do consentimento”, afirma que a maneira mais inteligente de manter as pessoas passivas é limitar o seu espectro de opinião e criticidade. Nessa acepção, conclui-se que esse comportamento intencional legitimado pelo filósofo é visualizado na agenda dos aparelhos midiáticos que envolve o envelhecimento devido à mentalidade etarista que se expressa, principalmente, pela não abordagem da importância da inclusão profissional e da representatividade em espaços importantes — a exemplo de cargos políticos e vagas em universidades — desses indivíduos. Por conseguinte, cria-se uma malha social que distancia a população idosa do convívio social, relegando-os à solidão e à passividade social. Assim, enquanto persistir essa exclusão midiática, jamais será possível atenuar esse óbice.

Portanto, cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Saúde — órgão responsável pelas diretrizes nacionais do sistema de saúde — em parceria com os CREAS, desenvolver atividades físicas de grupo e movimentos interativos, como dança e pintura, que despertem a população idosa para o cuidado físico, bem como campanhas de prevenção nas UBS às doenças da terceira idade, com a finalidade de garantir uma qualidade de vida saudável. Além disso, os veículos midiáticos devem retratar a personalidade do envelhecimento em figuras e espaços de poder para combater o idadismo. A partir dessas execuções, as perspectivas do envelhecimento no Brasil serão outras, agora não mais a da “sociologia das ausências”.

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Textos de apoio do tema de redação Enem 2025

Veja abaixo os textos motivadores que orientaram os participantes sobre o recorte do tema escolhido:

Texto motivador I — Dados do IBGE sobre a população idosa no Brasil

O primeiro texto de apoio do tema de redação Enem 2025 foi o trecho de uma matéria publicada pelo próprio IBGE. Confira o trecho:

Em 2022, o total de pessoas com 65 anos ou mais de idade no país chegou a 10,9% da população, com alta de 57,4% frente a 2010, quando esse contingente era 7,4% da população. É o que revelam os resultados do universo da população do Brasil desagregada por idade e sexo, do Censo Demográfico 2022. “O Estatuto do Idoso define como idoso a pessoa de 60 anos ou mais. O corte de 65 anos ou mais foi utilizado nesta análise para manter comparabilidade internacional e com outras pesquisas que utilizam essa faixa etária, como de mercado de trabalho”, justifica Izabel Marri, gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE. O aumento da população de 65 anos ou mais em conjunto com a diminuição da parcela da população de até 14 anos no mesmo período, que passou de 24,1% para 19,8%, evidenciam o franco envelhecimento da população brasileira.

Texto motivador II — Pictograma dos idosos

O texto dois trazia um trecho do artigo “Símbolo para identificação de idoso não pode ser pejorativo, prevê projeto aprovado na CDH“, da Agência Senado. Além do trecho abaixo, havia a imagem do pictograma, para ilustrar o que estava sendo abordado.

Um movimento na internet, contrário ao pictograma com a bengala para os idosos, iniciou uma campanha para modificar essa imagem. A empreitada coletiva acabou com a elaboração de um novo desenho, uma figura mais altiva, ao lado da inscrição “60+”.
pictograma-idosos-enem-2025-tema-de-redação

Texto motivador III — Rita Lee e Fernanda Montenegro dissertam sobre a velhice

O terceiro trecho utilizado pela banca trouxe frases da cantora Rita Lee e da atriz Fernanda Montenegro sobre a velhice, publicada no jornal de Literatura Rascunho:

A velhice é tempo de se retratar consigo mesma, de falar da doença, da sexualidade, do tédio e da liberdade de não se encaixar mais nas expectativas sociais. “A velhice não é doença. É destino”, escreve Rita Lee. Mas ela mesma mostra que esse destino não é sinônimo de mero encaminhamento para o fim — é campo de novas escolhas, inclusive a de desafiar estereótipos reservados para essa fase da vida.

A atriz Fernanda Montenegro, hoje com 95 anos, oferece em suas memórias uma síntese luminosa desse gesto de habitar o tempo com dignidade: “A velhice é o tempo em que a vida já foi vivida e, por isso mesmo, pode finalmente ser olhada de frente, sem o pânico do ineditismo”.

Texto motivador IV — Idosos como mantenedores dos lares

O quarto texto da coletânea foi um infográfico, acompanhado de um pequeno trecho da reportagem “Como envelhecer no Brasil“, da Globo.

Um novo estereótipo: o "velho ativo", saudável e com recursos, pressiona o "velho inativo", doente e pobre. Nem todos os idosos têm recursos à disposição para aderir a essa corrida.
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Fonte: gente.globo

Texto motivador V — A invisibilidade dos idosos, por Clarice Lispector

Clarice Lispector foi citada no quinto texto motivador para o tema de redação do Enem 2025. O trecho utlizado foi extraído do livro “Onde estivestes de noite”. Veja:

Dona Maria Rita era tão antiga que na casa da filha estavam habituados a ela como a um móvel velho. Ela não era novidade para ninguém. Mas nunca lhe passara pela cabeça que era uma solitária. Só que não tinha nada para fazer. Era um lazer forçado que em certos momentos se tornava lancinante: nada tinha a fazer no mundo. Senão viver como um gato, como um cachorro. Seu ideal era ser dama de companhia de alguma senhora, mas isso nem se usava mais e mesmo ninguém acreditaria nos seus fortes setenta e sete anos, pensariam que ela era fraca. Não fazia nada, fazia só isso: ser velha. Às vezes ficava deprimida: achava que não servia a nada, não servia sequer a Deus.

Texto motivador VI — Quem tem direito de viver mais

A matéria “Quem tem direito de viver mais?”, do G1, trouxe uma aspa do diretor do documentário “Quantos dias. Quantas noites”, que falava sobre os marcadores que definem quem vive por mais tempo no Brasil. Além desse trecho, há uma aspa de um médico gerontólogo sobre o declínio funcional da pessoa idosa.

O documentário Quantos dias. Quantas noites busca investigar quem, afinal, tem direito a uma vida longa no Brasil. "São inúmeros os marcadores que definem quem vai viver e quem vai sucumbir diante de uma realidade imposta por um sistema bastante perverso", afirma o diretor do documentário.

"O envelhecimento leva a maioria das pessoas a um declínio funcional. Mas, se você chega aos 75 anos tendo acumulado desigualdades, principalmente pelo racismo, é muito difícil sobreviver com qualidade de vida", diz um médico gerontólogo.

Tema de redação Enem 2025: veja os comentários dos professores do Estratégia Vestibulares 

Fernando Andrade —- professor de Redação e Filosofia

“Tinha essa ideia de indivíduo se reinventar ou de uma velhice que se coloca agora com uma espécie de desafio, porque não pensávamos na velhice como pensamos atualmente, né? Até porque, a maioria dos brasileiros vão envelhecer. Nós vamos ter uma sociedade mais velha e que vai ser uma sociedade diferente”.

Além disso, Fernando aponta quais erros os participantes poderiam cometer diante do tema: “O que, às vezes, é comum, é o texto moralista. O candidato poderia ficar tentado a dar lição de moral. Outro erro seria não falar do Brasil”.

E completa “Os alunos também podem ter se atrapalhado com a palavra ‘perspectivas’ ao invés de ‘desafios’. Na verdade, seria possível mudar de perspectivas sem prejuízo para o texto.” Confira o comentário do professor:

Neste ano, o Enem escolheu um tema sempre especulado como provável para qualquer edição: o envelhecimento da população brasileira. Ano sim, ano não, quando se perguntava a respeito de temas prováveis, a questão do idoso era sempre lembrada.

Na verdade, a proposta não focou exatamente no idoso, mas em uma questão social ampla, o envelhecimento da população brasileira. O Inep elegeu um fenômeno mundial que afeta também o Brasil, e não menos importante do que mudança climática, inteligência artificial, mudanças geopolíticas, dentre outros. Trata-se de um tema caro à geografia e a todas as reflexões que são feitas quando se estuda a pirâmide etária.

De certa forma, isso representou uma mudança sutil nas temáticas que até agora estavam sendo escolhidas pela banca. Normalmente, o Inep escolhia ou questões relacionadas a direitos não reconhecidos a grupos sociais (lutas por reconhecimento) ou relacionadas à desigualdade social. As últimas propostas sobre temas amplos datam de 2017-2020, quando a banca escolheu temas como “manipulação do comportamento do usuário” nas redes sociais; “a falta de empatia”, “a busca por padrões de beleza”.

Não se trata de uma mudança brusca que poderia deixar o candidato sem norte, já que esse tema permite abordar o idoso como aquele que necessita de políticas públicas e apoio social para garantir o pleno gozo da cidadania. Contudo, não deixa de ser algo a ser assinalado, com reflexos inclusive na escolha da palavra que inicia a frase-tema da proposta: ao contrário de “desafios”, tantas vezes utilizada nas outras edições, agora a banca optou por “perspectivas”.

Além disso, a proposta não estava longe do cotidiano das pessoas. Mesmo os jovens, de alguma forma, têm contato com avós ou parentes mais velhos, o que faz desse tema um mote para reflexão quase universal.

Por fim, há que destacar a coletânea, que trazia núcleos argumentativos possíveis de serem explorados e, se lida com atenção, poderia até fornecer um roteiro de escrita.

Fazendo um resumo, pode-se dizer que o Enem foi muito feliz por trazer à baila um tema atual, não estranho aos alunos e, de quebra, ainda forneceu uma coletânea operacional.

Marina Ferreira —- professora de Redação

Marina também destacou o uso do termo “perspectivas” na proposta, classificando o tema como “esperado”, já que o assunto é frequente nas propostas de redação elaboradas pelos professores da disciplina por todo o Brasil.

A questão da pirâmide etária é debatido há décadas e as expectativas previstas estão sendo superadas na realidade. Portanto, estamos vendo os números ainda mais distantes na taxa de natalidade do que o projetado. Confira o comentário da professora:

 A novidade deste ano foi o uso da palavra “perspectivas”, o que, à primeira vista, parece diferente das formulações anteriores do Enem, que comumente traziam termos como “desafios” ou “caminhos”. No entanto, essa mudança não altera a lógica da proposta, já que o tema ainda exige uma problematização, como ficou evidente nos próprios textos de apoio.
Eles traziam estigmas associados aos idosos, situações de etarismo, condições socioeconômicas que levam muitos deles a integrar a renda familiar e, ainda, um texto literário de Clarice Lispector, que reforçava a ideia de um certo ostracismo cultural da velhice.

Assim, embora a palavra perspectivas abra espaço para mencionar aspectos positivos — como o aumento da expectativa de vida, melhorias na qualidade de vida e avanços tecnológicos —, o enunciado também orienta o candidato a reconhecer os desafios envolvidos no envelhecimento populacional, ponto fundamental para que a proposta de intervenção faça sentido.

Trata-se de um tema esperado, já discutido por diversos professores nos últimos anos, e extremamente pertinente em um momento de inversão da pirâmide etária, no qual o Brasil avança para uma sociedade mais envelhecida e precisa repensar suas estruturas sociais e culturais.

Envelhecimento na sociedade brasileira: veja repertórios socioculturais do tema de redação do Enem 2025

Crescimento populacional e pirâmide etária

O Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022 trouxe a estimativa de que, em 2041, a população brasileira ultrapassará a marca de 220 milhões de pessoas, que será o seu valor máximo. Ainda segundo o Censo, a população deverá diminuir para 199 milhões até 2070.

A proporção de idosos na população brasileira quase duplicou de 2000 a 2023 (de 8,7 para 15,6), e o IBGE aponta que, em 2070, cerca de 37,8% da população terá mais de 60 anos, o que corresponderá a 75,3 milhões de pessoas. Por fim, a idade média da população também aumentará, indo de 28,3 anos em 2000 para 35,5 em 2023, com projeção de ser 48,4 em 2070.

O professor de Geografia do Estratégia Vestibulares, Saulo Takami, acertou o tema de redação na matéria: Tema de redação Enem 2025: veja os palpites dos professores do Estratégia Vestibulares. Veja sua justificativa abaixo.

“De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até, no máximo, 2050, um terço da população brasileira será idosa. Então imagina toda a reforma no sistema previdenciário para garantir a aposentadoria. No sistema de saúde, que em tese o idoso fica mais doente, precisa de mais tratamento, medicamento, cirurgia e também em relação às empresas, que vão ter que se adaptar porque vai ser mais comum contratar pessoas mais velhas”

Etarismo

O repertório acima é um dos problemas recorrentes no etarismo, que é o preconceito ou discriminação existente contra pessoas com idade avançada. Ele apresenta também outros nomes como velhofobia, idadismo ou ageísmo, derivação do termo aging, do inglês, que significa envelhecimento.

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O Brasil conta com o Estatuto do Idoso, que visa coibir o preconceito contra essa população. Além disso, há a Convenção Interamericana sobre os Direitos das Pessoas Idosas, que conta com a assinatura e colaboração do Brasil.

Mercado de consumo para pessoas idosas

Se no mercado de trabalho há conflitos geracionais e situações de etarismo evidentes no cotidiano, no mercado de consumo não é diferente. A matéria “Brasil exclui do consumo idosos 60+, que já superam jovens de 20 anos”, mostra um caso, digamos, curioso: a população excluída é maior que a fatia estimulada para consumir.

Todo esse imagético já abordado sobre o ideal jovem e de novidade exposto na sociedade atual faz com que as campanhas publicitárias, os produtos lançados e toda a estratégia de marketing seja pensada para públicos mais jovens, o que acaba por excluir, ou, pelo menos, diminuir, a importância do poder de compra da pessoa idosa.

A chamada “economia prateada” é, segundo a agência de relações públicas e marketing norte-americana FleishmanHillard, a terceira maior atividade econômica do mundo. A reportagem citada no parágrafo, da CNN Brasil, relata que o grupo ainda é “negligenciado como consumidor por marcas e empresas”.

Veja mais: Envelhecimento na sociedade brasileira: veja repertórios socioculturais do tema de redação do Enem 2025

Como é a redação do Enem?

A redação do Enem segue o gênero textual dissertativo-argumentativo, ou seja, apresenta um ponto de vista por meio de argumentos.  A estrutura é simples, sendo dividida em três partes:

  • Introdução: apresentar o tema e o posicionamento sobre o tema proposto.
  • Desenvolvimento: aprofundamento dos os argumentos citados na introdução, fortalecendo o ponto de vista que o candidato defende.
  • Conclusão: criar intervenções que contribuam para a melhoria da problemática.

Além disso, a redação do Enem é avaliada por meio de cinco competências, com o objetivo tornar a avaliação padronizada para todos os concorrentes. A seguir, confira o que cada uma das competências pede do candidato:

  • Competência 1: Domínio da escrito formal da Língua Portuguesa;
  • Competência 2: Compreender o tema e não fugir da proposta;
  • Competência 3: Organização das ideias;
  • Competência 4: Coesão e coerência; e
  • Competência 5: Proposta de Intervenção.

Saiba mais:
Competência 1 da redação do Enem;
Competência 2 da redação do Enem;
Competência 3 da redação do Enem;
Competência 4 da redação do Enem; e
Competência 5 da redação do Enem.

Temas de redação do Enem

Veja abaixo o histórico de temas de redação do Enem:

  • Redação Enem 2025 – Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira
  • Redação Enem 2024 – Desafios da valorização da herança africana no Brasil
  • Redação Enem 2023 – Invisibilidade do trabalho de cuidados realizados pela mulher no Brasil
  • Redação Enem 2022 – “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”
  • Redação Enem 2021 – Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil
  • Redação Enem 2020 – O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
  • Redação Enem 2019 – Democratização do acesso ao cinema no Brasil
  • Redação Enem 2018 – Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
  • Redação Enem 2017 – Desafios para formação educacional de surdos no Brasil
  • Redação Enem 2016 – Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
  • Redação Enem 2015 – A Persistência da Violência contra a Mulher na Sociedade Brasileira
  • Redação Enem 2014 – Publicidade infantil em questão no Brasil
  • Redação Enem 2013 – Os efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
  • Redação Enem 2012 – O movimento imigratório para o Brasil no século XXI
  • Redação Enem 2011 – Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado

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+ Redação nota 1000: leia 10 redações do Enem 2022
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