Guerra Fria: resumo, contexto, características, consequências

Guerra Fria: resumo, contexto, características, consequências

A Guerra Fria foi um importante período do século XX. Nessa época, duas grandes potências mundiais disputavam a influência sobre outros países, eram elas os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) — que não existe mais atualmente.

Mas, afinal, como esse tema pode ser cobrado no Enem? No artigo de hoje você encontra as principais informações a respeito dos fatores que desencadearam o início do conflito, como e onde ele ocorreu, quais os impactos geopolíticos desse evento e o desfecho da história. Continue lendo para saber mais!

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O que foi a Guerra Fria?

Guerra Fria é o nome dado ao período entre 1947 e 1991, quando o mundo foi ideologicamente dividido entre dois sistemas políticos de grande influência até os dias atuais: o socialismo e o capitalismo.

Enquanto os americanos eram a representação mundial do estilo de vida capitalista, a União Soviética se dedicava a desenvolver a sociedade socialista que havia criado.

Em meio a esse cenário, as duas potências globais se dedicaram para influenciar mais e mais regiões. Como esse contexto político tornou-se cada vez mais acirrado e marcante, é comum referir-se a ele como uma época de “geopolítica bipolar” — duas nações exerciam forte controle dos acontecimentos na maior parte do território mundial.  

Por que o nome “Guerra Fria”?

O conflito ideológico que surgiu na década de 40 ficou conhecido como Guerra Fria porque embora as nações estivessem em disputa por hegemonia, nunca houve uma intervenção bélica direta entre EUA e URSS. 

Nesse sentido, a Guerra se diferenciava grandemente das batalhas da Primeira e Segunda Guerra Mundial, em que foram utilizadas diferentes armas e estratégias bélicas violentas.

O início da Guerra Fria e seu contexto histórico

Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, duas grandes potências passaram a se desenvolver no panorama global. Os Estados Unidos, capitalistas, fizeram das grandes guerras um fator de crescimento para a sua economia. Os soviéticos, por sua vez, espalhavam cada vez mais as ideias socialistas, que atraíam uma parcela significativa da sociedade. 

Nesse contexto, um líder americano tomou decisões cruciais para o surgimento da Guerra Fria: por meio do Plano Marshall os estadunidenses passaram a financiar a reconstrução de países europeus, ao mesmo tempo em que pregavam a Doutrina Truman, que buscava a contenção do socialismo pelo mundo. 

Diante de tamanha oposição e com objetivo geopolíticos, os soviéticos se posicionaram e a Guerra Fria iniciou-se.

Principais características da Guerra Fria

Mesmo que não tenha adquirido um caráter bélico, o conflito ideológico próprio da Guerra Fria era pautado por sutis ameaças, desenvolvimento de armamentos, além da disputa por crescimento tecnológico.

Diante desse evento, a característica mais marcante é a bipolaridade da Guerra Fria. Uma parte do mundo tornou-se aliada aos ideais e sistemas americanos, enquanto outra porção (principalmente o Leste Europeu) se voltou para o socialismo soviético. Veja um exemplo com o mapa abaixo:

Corrida Armamentista

O termo “Corrida Armamentista” diz respeito à fase em que para “provar” qual sistema ideológico era mais desenvolvido, as duas nações se aplicaram na fabricação e aprimoramento de armamentos, táticas militares e estratégias bélicas. Entende-se que o principal objetivo era demonstrar a superioridade da nação mais poderosa, por meio do temor generalizado.

Corrida Espacial

Semelhante ao que foi descrito no tópico anterior, a Corrida Espacial representava a disputa tecnológica e territorial entre as duas nações hegemônicas. Por isso, o alcance de voos espaciais era uma inovação importante, com a exploração do espaço por americanos e estadunidenses.

Acontecimentos importantes da Guerra Fria

Embora EUA e URSS nunca tenham disputado fisicamente por suas ideologias, os países que estavam subordinados a eles se envolveram em importantes embates relacionados com as ideologias próprias da Guerra Fria. Veja, a seguir, alguns exemplos.

Revolução Chinesa

A Revolução Chinesa é parte de um processo histórico em que a China ficava dividida politicamente entre os cidadãos capitalistas (Partido Nacionalista) e os que se familiarizavam mais com o socialismo (Partido Comunista Chinês).

Em 1949, a nação tornou-se comunista, com a proclamação da República Popular da China. Nomes como do ditador Mao Tsé-Tung foram muito importantes na consolidação desse processo. 

Além disso, os Estados Unidos reagiram a esse processo com a tentativa de influenciar mais a Ásia, como uma oposição aos ideais soviéticos. 

Guerra da Coreia

Entre 1950 e 1953 a Coreia passou por um processo de conflito civil que era marcado, predominantemente, por uma região sul-coreana capitalista e a porção norte comunista. 

As tentativas de reunificar os territórios e os sistemas político-econômicos foram o ponto de partida para o início da Guerra da Coreia. Forças externas passaram a intervir na disputa: soldados americanos chegaram a atuar em território coreano, inclusive. 

Crise dos Mísseis em Cuba

Diante das diversas tensões instaladas mundo afora no contexto da Guerra Fria, o que aconteceu em Cuba foi o ápice do “medo” mundial. A ameaça real e perturbadora de uma guerra nuclear atemorizou sociedades em todo o globo terrestre.

A Crise dos Mísseis em Cuba aconteceu porque aviões americanos que sobrevoaram regiões cubanas observaram a instalação de mísseis nucleares soviéticos na ilha de Cuba. Dada a proximidade geográfica entre os dois territórios, os EUA cogitaram a possibilidade de efetuar ataques nucleares — observe no mapa abaixo como os países estão dispostos no globo terrestre.

Imagem: Reprodução/Google Maps

A questão foi resolvida de forma que os mísseis fossem retirados de Cuba, assim como os armamentos americanos que estavam na Turquia foram desinstalados.

+ Veja mais: Cuba e Estados Unidos: histórico, disputas e consequências

Guerra do Vietnã

Tal qual aconteceu nas Coreias, o Vietnã também ficou dividido em uma porção comunista (no norte) e outra capitalista (sul).

O conflito entre as regiões foi de longa duração, com início em 1959 e fim em 1976. Em meados da década de 60, tropas americanas foram enviadas para os territórios vietnamitas, o resultado não foi satisfatório: tanto estadunidenses quanto asiáticos tiveram uma baixa de soldados significativa.

Os cidadãos americanos se opuseram ao envio de mais jovens americanos ao conflito e os EUA se retiraram da Guerra do Vietnã em 1976. No fim das diversas disputas que envolvem esse cenário, os comunistas se sobressaíram e implantaram a reunificação vietnamita.

Guerra do Afeganistão de 1979

A Guerra do Afeganistão, que durou entre 1979 e 1989, é um exemplo da invasão militar direta da União Soviética, no contexto da Guerra Fria.

Em 1979 tropas soviéticas invadiram o país afegão para defender o sistema comunista de populares que se opunham a esse regime. Por outro lado, esses cidadãos opositores do governo eram financiados pelos estadunidenses e influenciados pelo capitalismo.

Em meio a esse conflitotation”>, muitas vidas soviéticas se perderam e a economia da URSS entrou em intensa decadência. A popularidade do governo era cada vez menor e a Guerra do Afeganistão é considerada um dos fatores importantes na dissolução da União Soviética.

+ Veja mais: Talibã no Afeganistão: entenda o que está acontecendo e como o tema pode cair no vestibular

Plano Marshall e Comecon

No início da Guerra Fria, os Estados Unidos se empenharam em conter o avanço do comunismo no mundo, por meio do financiamento para outras nações. Essa ideia ficou conhecida como Plano Marshall, quando investimentos foram empregados em países europeus para que eles se reconstruíssem no período pós Segunda Guerra Mundial.

Do outro lado da história, os soviéticos desenvolveram a Comecon, um Conselho para Assistência Econômica Mútua. Nessa organização, havia uma integração econômica entre os países do Leste Europeu, que aderiram ao sistema socialista, como Bulgária, Hungria, Polônia, Tchecoslováquia, entre outros.

Otan e Pacto de Varsóvia

A Organização do Tratado do Atlântico Norte, conhecida como Otan, foi um pacto feito entre diversas nações aliadas aos Estados Unidos. Nesse acordo, ficou definida uma proteção entre os países envolvidos, então se o território de qualquer um deles fosse ameaçado por forças comunistas, os outros deveriam intervir na situação. 

A Otan existe até os dias de hoje está intimamente relacionada com diversas questões geopolíticas importantes, como as questões entre Rússia e Ucrânia que se intensificaram no ano de 2022.

O Pacto de Varsóvia é a instituição soviética que mais se assemelha à Otan. Nele, nações socialistas, como Bulgária, Hungria, Polônia e Romênia  fizeram uma aliança militar de apoio e defesa. Esta relação se findou juntamente com a dissolução da União Soviética, em 1991.

+ Veja também:
Por que a Rússia invadiu a Ucrânia? Entenda a tensão

Fim da Guerra Fria

Com o passar do tempo, as bases econômicas da União Soviética se desgastaram. A partir de 1970, entrou um declínio monetário importante. Além disso, o crescimento e inovação velozes do capitalismo eram um forte oponente do estabelecimento e consolidação do sistema socialista.

O envolvimento com conflitos, como a Guerra do Afeganistão, gerou ainda mais prejuízos financeiros. Alguns políticos tentaram reestruturar a nação, mas foram mal sucedidos em seus planos. Diante disso, em 1989 foi quebrado o muro de Berlim, um marco da bipolaridade mundial, e, em 1991, a União Soviética foi definitivamente encerrada, com a independência dos muitos países que a compunham.

Consequências da Guerra Fria

Após o fim da Guerra Fria, diversas mudanças foram percebidas no mundo, entre elas a formação de muitos países pequenos no Leste Europeu, como Eslovênia, Eslováquia, Iugoslávia e outros. A Coreia nunca mais foi unificada e, atualmente, existe uma Coreia do Sul e uma Coreia do Norte. Perceba como essas alterações influenciam na geografia terrestre e na constituição do mapa mundi.

Outros pontos importantes são:

  • a tensão entre Rússia e Estados Unidos, que persiste até os dias atuais;
  • Embora o Pacto de Varsóvia soviético tenha se findado, a Otan resistiu ao tempo e atua principalmente no combate ao terrorismo; 
  • A bipolaridade mundial deu espaço ao capitalismo generalizado, que predomina em quase todo o globo terrestre;
  • Ao mesmo tempo em que, atualmente, podem ser mencionadas diversas potências político-econômicas, diferentemente da polarização EUA e URSS.

+ Veja também: Blocos econômicos e alianças militares: veja os principais e seus tipos

Videoaula sobre Guerra Fria

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Questão do Enem sobre Guerra Fria

Enem 2013

O papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) alterou-se desde sua origem em 1949. A Otan é uma aliança militar que se funda sobre um tratado de segurança coletiva, o qual, por sua vez, indica a criação de uma organização internacional com o objetivo de manter a democracia, a paz e a segurança dos seus integrantes. No começo dos anos de 1990, em função dos conflitos nos Bálcãs, a Otan declarou que a instabilidade na Europa Central afetava diretamente a segurança dos seus membros. Foi então iniciada a primeira operação militar fora do território dos países-membros. Desde então ela expandiu sua área de interesse para África, Oriente Médio e Ásia.

BERTAZZO, J. Atuação da Otan no Pós-Guerra Fria: implicações para a segurança nacional e para a ONU. Contexto Internacional, Rio de Janeiro, jan-jun. 2010 (adaptado).

Os objetivos dessa organização, nos diferentes períodos descritos, são, respectivamente:

a) Financiar a indústria bélica – garantir atuação global.
b) Conter a expansão socialista – realizar ataques preventivos.
c) Combater a ameaça soviética – promover auxílio humanitário.
d) Minimizar a influência estadunidense – apoiar organismos multilaterais.
e) Reconstruir o continente devastado – assegurar estabilidade geopolítica.

Durante a Guerra Fria, o principal objetivo da Otan era uma proteção militar e ideológica contra as possíveis ameaças soviéticas, que tinham caráter socialista. Com o passar do tempo e o fim da bipolaridade mundial, observou-se que a Organização se voltou à prevenção de ataques terroristas, muitas vezes por meio de investidas militares. Por essa razão, a alternativa mais adequada à resolução é a letra B.

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