Se você já prestou ou pretende se inscrever no Enem, sabe muito bem que a redação é uma das áreas de conhecimentos avaliada pelos corretores da prova. Aliás, a redação corresponde a um quinto da nota final, ou seja, para garantir uma boa nota no Enem, é imprescindível produzir uma boa dissertação.
Por isso, é preciso reservar um tempo na rotina de estudos para treinar exclusivamente a redação, seja aprendendo o formato do tipo de texto que é cobrado pela banca ou lendo e analisando as redações nota 1000 das edições anteriores. Afinal, dessa forma, você consegue aprender quais foram os pontos positivos de cada candidato e descobrir como adaptar isso ao seu modelo de redação.
Para te ajudar, o Portal Estratégia Vestibulares listou 6 redações que tiraram a nota máxima na última edição do Enem, o Enem 2024. As redações nota 1000 da do Enem 2023 foram analisadas por Marina Ferreira professora de redação do Estratégia Vestibulares. Bora começar a estudar?
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+ Tema de redação Enem 2024: Desafios da valorização da herança africana no Brasil
+ Enem 2024 tem vazamento da prova antes do horário permitido
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+ 13 citações sobre herança africana para usar na redação
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Redações nota 1000 do Enem 2024
Sabrina Ayumi Alves, de Araçatuba (SP)
O livro “Nós matamos o cão tinhoso” de Luís Bernardo Honwana retrata a sociedade moçambicana durante a colonização portuguesa. Na obra literária, observa-se uma dinâmica social pautada pela inferiorização dos indivíduos negros, na qual o racismo está enraizado nas interações entre as pessoas, na qualidade de vida e na autoimagem de cada ser. Assim, ao inserir a imagem criada pelo livro no contexto brasileiro de ínfima valorização da herança africana, infere-se que o passado colonial persiste nas estruturas do Brasil, se manifestando a partir do apagamento sistemático da cultura afro-brasileira. Em razão disso, deve-se discutir o papel do Estado no setor escolar e cultural diante desse contexto de silenciamento.
Em um primeiro momento, é necessário entender a relação entre a dinâmica social brasileira e a desvalorização da herança africana. Para fundamentar essa ideia, o filósofo Ailton Krenak afirma que, no Brasil, existem dois grupos — a humanidade, formada pela elite econômica, e a subumanidade, a qual tem seus direitos negados e é constituída principalmente pelas populações marginalizadas socialmente, como os povos originários e os negros. Por conseguinte, entende-se que o apagamento da cultura africana é uma extensão do panorama da desigualdade social brasileira, já que essa desvalorização sistemática silencia as vozes de populações que são violentadas e oprimidas há séculos, o que favorece a manutensão dessas pessoas no grupo da subumanidade. Dessa forma, o Estado deve desenvolver medidas que visem valorizar e apoiar artistas e escritores relacionados à herança africana no Brasil.
Sob outra ótica, a compreensão acerca da importância da ancestralidade na formação da autoimagem e da noção de pertencimento de cada indivíduo é imperativa. Para isso, a filósofa brasileira Marilena Chaui defende a ideia de que, enquanto os animais são seres naturais, os humanos são culturais – ou seja, a cultura em que cada pessoa está inserida compõe a essência desse ser. A partir disso, compreende-se que o silenciamento da herança africana nega a uma grande parte do povo brasileiro a sua própria essência, o que constitui uma violência estrutural e resulta numa noção de não pertencimento generalizada e em uma autoimagem defasada. Frente a isso, o Estado deve agir em prol da promoção de manifestações culturais afro-brasileiras.
Em suma, conclui-se que a desvalorização da cultura africana está diretamente relacionada a um processo sistemático de silenciamento de grupos oprimidos e resulta na falta de pertencimento de muitos indivíduos. Portanto, cabe ao Estado, por meio de uma parceria entre o Ministério da Economia (ME) e o Ministério da Educação e da Cultura (MEC), desenvolver manifestações culturais afro-brasileiras nas escolas, como, por exemplo, peças teatrais e festivais de dança, música e arte, assim como investir financeiramente na promoção de artistas e escritores que têm suas carreiras relacionadas à herança africana. Por fim, essas ações serão responsáveis por impedir o perpetuamento da desvalorização da cultura africana no Brasil.
Comentário da professora Marina Ferreira sobre a redação
Na introdução, há um recurso interessantíssimo para apresentar o tema, envolvendo aspectos culturais que podem agregar à proposição argumentativa. Além disso, é feita adequadamente a contextualização, apresentando a relação entre a ficção e a realidade. A tese está bem apresentada e são apresentados os dois argumentos a serem desenvolvidos.
Vale reparar, também, que as palavras-chave do tema se repetem e direcionam a perspectiva argumentativa. No desenvolvimento argumentativo, a autora conseguiu utilizar muito bem o repertório, de modo contextualizado, sofisticado e coerente com a tese apresentada. Observa-se que a relação entre o repertório e o argumento em si também é muito bem destacada.
Ao final, o reforço de que essa problemática é grave e requer intervenção se dá de modo adequado e fechando a circularidade do parágrafo. É preciso considerar que os repertórios não são coringas, são bem articulados à discussão e envolvem totalmente a tese.
No final do texto, a autora acertou fazendo a retomada da tese e apresentando uma proposta detalhada e completamente relacionada à discussão. Trata-se de uma redação autoral, com originalidade no uso dos repertórios, sem nada que remeta a um modelo estrutural e com um uso fluido dos conectivos.
Quer algumas dicas para a garantir a sua redação nota 1000 no Enem? Assista o bate-papo entre os professores de redação do Estratégia Vestibulares:
Rafael Santana Assunção, de Belo Horizonte (MG)
O álbum musical “Duas Cidades”, da banda brasileira Baiana System, aborda, em algumas de suas canções, o apagamento da influência histórica africana no Brasil. Inegavelmente, em dias atuais, é possível constatar uma relação direta entre a composição artística citada e a desvalorização da herança africana no país. Isso é explicado devido à falta de política pública de ensino e à ausência de lei específica. Logo, é essencial analisar e intervir sobre essa problemática.
A princípio, deve-se observar que o pouco fomento governamental em ações de gestão educacional é um problema a ser combatido. Sob a perspectiva de Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos, é urgente a necessidade de iniciativas para a inclusão da história e da cultura afro-brasileira nas escolas. Para entender melhor tal posicionamento, é importante compreender que o atual ensino sobre os povos africanos é apenas relatado em aulas específicas de algumas disciplinas, como história e literatura, sem se aprofundar na grande influência cultural que a África possui no Brasil. Dessa forma, de acordo com Chico César, cantor e compositor de músicas afro-brasileiras, as crianças e os adolescentes necessitam ter uma formação ampla sobre a temática, com aulas multidisciplinares, por exemplo, de música e de capoeira, bem como as tradicionais aulas já existentes, porém integradas à herança africana presente na sociedade. Nesse sentido, é substancial modificar esse contexto e desenvolver uma forte política pública de ensino.
Ademais, é imperativo pontuar que atitude insuficiente do Poder Legislativo Federal em atuar no tema é um problema a ser combatido. Sob a ótica de Duda Salabert, deputada federal e professora de literatura, é imprescindível a alteração da lei que orienta a educação básica brasileira. Isso pode ser explicado pelo entendimento de que apenas com empenho legislativo é possível transformar o mecanismo legal que define as matrizes de referência do ensino nacional. Dessa maneira, com a união de parlamentares para o reconhecimento da importância da herança africana na formação educacional, poderá ocorrer a consolidação de políticas públicas, como o investimento da capacitação de professores e de profissionais especializados em cultura afro-brasileira. Assim, o crescimento do fomento estatal no setor, garantido por aparato legal, contribuirá para a efetivação de uma forte identidade nacional. Em suma, se o Congresso Nacional se omite de enfrentar tal cenário danoso, entende-se o porquê de sua perpetuação.
Portando, com o intuito de solucionar esses desafios, o Poder Executivo Federal, por meio do aumento de ações governamentais, deve estimular iniciativas educacionais relacionadas à herança africana, a fim de valorizar a temática. Além disso, o Poder Legislativo Federal, por intermédio da criação de um projeto de lei, necessita elaborar uma nova política nacional de ensino, com a obrigatoriedade de investimento público na área, com a definição de medidas de gestão pública capazes de instituir aulas multidisciplinares, como de música e de cultura afro-brasileira nas escolas, com o objetivo de reconhecer a importância do tema na formação da sociedade. Feito isso, o apagamento da influência africana abordado na obra da banda Baiana System será, enfim, combatido.
Comentário da professora Marina Ferreira sobre a redação
A introdução está bem construída, a apresentação é original – o álbum “Duas Cidades”, da banda Baiana System – para contextualizar o tema e estabelecer sua relevância no cenário atual. A tese está clara e adianta a discussão que será proposta. É uma introdução curta e boa!
Nos parágrafos de desenvolvimento, os repertórios são bem articulados e relacionados diretamente à argumentação. O primeiro argumento é fundamentado por falas de figuras relevantes, o que fortalece a ideia de que o ensino sobre a herança africana precisa ser mais abrangente.
No segundo parágrafo, a ausência de iniciativas legislativas é debatida, com a referência à Duda Salabert e à necessidade de mudanças na legislação educacional para garantir um ensino mais inclusivo e representativo. Não se trata de repertório clichê, pelo contrário.
A conclusão retoma a tese e apresenta uma proposta detalhada, com agentes claramente definidos – o Poder Executivo e o Legislativo – e ações concretas, como o investimento público e a reformulação curricular. O fechamento eficiente reforça a circularidade do texto, conectando a argumentação ao repertório inicial. De fato, é um bom texto!
Estude para o Enem
Clara de Oliveira, de Niterói (RJ)
O filme “Pantera Negra” foi considerado um marco da cinematografia mundial, devido à presença de um elenco majoritariamente negro e à representação da cultura desse grupo étnico-racial de maneira inovadora e prestigiada. Fora da ficção, o cenário apresentado distancia-se da realidade brasileira, haja vista os desafios, sustentados pelo sistema de ensino e pelo copo civil, para a valorização da herança africana no país. Nesse sentido, de modo a atenuar essa situação, é preciso analisar o descaso da esfera educacional e a mentalidade social como causas dessa grave problemática.
De início, convém ressaltar a negligência do setor instrucional como preponderante para minimizar o combate do desprestígio das heranças africanas no Brasil. Essa inoperância decorre da precariedade da atuação das escolas nacionais, principalmente das públicas, para o cumprimento da Base Nacional Comum Curricular — documento normativo da grade educacional brasileira — no que tange à abordagem histórica dos povos africanos com ensino aprofundado e que exalte as suas contribuições culturais, tendo em vista o lecionamento, muitas vezes, superficial e eurocêntrico. De fato, essa conjuntura justifica-se na insuficiência da capacitação dos professores e na vigência de uma didática passiva e voltada para o vestibular, o que torna tais instituições possíveis de serem consideradas como um estado de “zumbi”, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, já que se afastam de seus objetivos principais, isto é, de formação social do aluno. Com efeito, diante dessa falta de conhecimento, fomenta-se a criação de estereótipos e a invisibilidade de personalidades negras importantes, prejudicando a representatividade e a valorização dessa comunidade, além de ser um risco à preservação dos costumes.
Além disso, é válido destacar que o imaginário social cria uma configuração propícia para a permanência dos entraves a esse grupo étnico-racial. Isso ocorre, pois verifica-se a persistência de atitudes de discriminação contra a afirmação das influências herdadas na aparência e nas atividades sociais por indivíduos afrodescendentes, a exemplo do preconceito associado aos cabelos crespos e às religiões de matriz africana, respectivamente. Evidentemente, tal prisma fundamenta-se em resquícios do passado colonial e imperial do país, em que se vigorava a desvalorização e a desumanização de pessoas negras em um contexto escravocrata. Por conseguinte, o enraizamento desse pensamento e a sua consequente naturalização mostram-se responsáveis por altos de violência simbólica, como atribuição dessas heranças como pejorativas. Dessa forma, observa-se o prejuízo à inclusão dessa população, a qual perde suas individualidades.
Portanto, torna-se evidente que os desafios advindos da área educacional e da nação devem ser amenizados. Diante disso, urge que o Ministério da Educação — órgão encarregado do ensino brasileiro — execute a melhoria do lecionamento sobre a história africana e a importância de suas heranças, com uma perspectiva aprofundada e protagonista frente ao recorte europeu. Isso deverá ser feito por meio da maior capacitação dos docentes e da universalização do conteúdo nas escolas, a fim de atender à BNCC. Ademais, cabe ao Ministério das Comunicações, mediante propagandas periódicas nos veículos midiáticos, elucidar o povo sobre a temática e desconstruir mentalidades preconceituosas. Espera-se, assim, que haja a valorização dessas contribuições culturais no Brasil como em “Pantera Negra”.
Comentário da professora Marina Ferreira sobre a redação
O início da redação é bem construído, trazendo uma alusão a uma obra que retrata ficcionalmente o afrofuturismo. Isso demonstra o nível de conhecimento da autora e já enfatiza que seu texto faz um bom recorte temático. Observe que é interessante trazer um elemento da cultura pop, desde que ele faça sentido com a argumentação em si.
Apesar do uso de repertórios mais consolidados, como o de Bauman e o da violência simbólica, é feita uma boa relação com o tópico frasal, de modo que fica explícito o argumento da autora e se dá ênfase à problemática. A proposta está muito bem detalhada e faz a retomada ao início da introdução, trazendo mais circularidade ao texto.
Trata-se de uma redação correta e bem construída, com menos sofisticação no uso do repertório em relação às outras, mas com construção argumentativa impecável. O mil foi merecido!
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Danilo Oliveira Batista, de São Luís (MA)
O “ciclo do ouro” – ocorrido no Brasil no século XVIII – acarretou o aumento do número de escravos provenientes do continente africano no país, trazidos com graves diferenças culturais entre si, sem que fossem levados em consideração os aspectos regionais e sociais de suas origens, ocasionando uma homogeneização forçada de indivíduos. Atualmente, de forma análoga à História Colonial Brasileira, ainda há uma forte tendência à padronização cultural da África, desprezando sua pluralidade e seu legado. Assim, dois grandes desafios para a valorização da herança africana no Brasil devem ser debelados: as políticas públicas ineficazes e as falhas educacionais.
Diante do cenário exposto, as políticas públicas ineficazes possibilitam a desvalorização do legado africano no país, uma vez que elas impedem o estabelecimento concreto de uma revisão histórica pautada em mais oportunidades, proteção e visibilidade para pessoas pretas. Consoante o sociólogo Émile Durkheim, uma sociedade sem regras claras, sem valores e sem limites encontra-se em estado de anomia social. Nesse sentido sociológico, esse estado anômico pode ser observado na hodierna realidade brasileira, na medida em que as políticas públicas ineficientes permitem o desprezo e o desrespeito com as religiões de matriz africana, a desassistência em áreas quilombolas e a ausência de representatividade em propagandas, por exemplo. Com base nisso, uma mudança urgente e pragmática deve ser realizada, visando à transformação dessa conjuntura, de modo a não só valorizar a herança africana no país, como também a protegê-la.
Ademais, as falhas educacionais também constituem-se como importantes fatores que aprofundam o descaso com o legado africano no Brasil. Segundo o filósofo Inmanuel Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”. Sob esse prisma filosófico, essas falhas educacionais solidificam mentalidades alienadas na população, potencializando preconceitos e ratificando equívocos concernentes à cultura africana no país. Nesse viés, a própria formação do cidadão brasileiro – no que tange à África e sua herança – é maculada por noções desprovidas de veracidade e etnocêntricas, corroborando a desvalorização da pluralidade e das “raízes africanas”, presentes em campos variados, como a gastronomia, a dança e a religião, representados respectivamente, pelo acarajé, pelo tambor de crioula e pelo candomblé. Então, torna-se imperiosa a correção imediata dessas falhas, no sentido de debelar erros e ampliar visões africanas positivas.
Infere-se, portanto, que as políticas públicas ineficazes e as falhas educacionais configuram-se como os dois desafios para a valorização da herança africana no Brasil. Nessa ótica, o Governo Federal – órgão máximo responsável pela ordem social – deve ampliar as políticas públicas existentes, tornando-as mais eficazes, por intermédio de uma aliança com o Governo Estadual e o Governo Municipal, com a finalidade de aumentar a proteção, as oportunidades e a representatividade das pessoas pretas. O Governo Federal também deve corrigir as falhas educacionais, por meio da Mídia — grande divulgadora de informações — e da Escola, a fim de mitigar equívocos, ocasionando a valorização do legado africano. Logo, o país possuíra uma estrutura melhor para “dialogar” com a herança da África, longe da padronização impositiva ocorrida durante o “ciclo do ouro” no século XVIII.
Comentário da professora Marina Ferreira sobre a redação
O início da redação é bem construído, trazendo uma alusão a uma obra que retrata A introdução da redação apresenta uma abordagem histórica interessante. A tese está clara e bem estruturada, apontando dois desafios que serão mencionados logo após. Repare que isso parece uma tendência nas redações nota 1000.
O segundo desenvolvimento é bem baseado na filosofia de Immanuel Kant para abordar as falhas educacionais, o que demonstra um bom aprofundamento teórico. A argumentação sobre o ensino deficiente e sua consequência na perpetuação de preconceitos é bem construída, especialmente ao exemplificar manifestações culturais africanas que são pouco valorizadas no Brasil.
A conclusão amarra bem a argumentação, retomando as causas discutidas e propondo soluções de forma objetiva. No geral, a redação apresenta uma argumentação coesa e repertórios bem escolhidos, demonstrando maturidade na construção do pensamento crítico.
Marina Vieira Almeida Lima, de Maceió (AL)
Na obra literária “Raízes do Brasil”, escrita pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, há a representação da miscigenação brasileira, caracterizada pela predominância da etnia africana na formação populacional do país. Contudo, apesar da indiscutível relevância da cultura advinda dos negros para a construção cultural da nação, a herança dos povos africanos não é devidamente valorizada, visto que suas contribuições culturais são omitidas no meio social. Logo, perante esse entrave, cabe a análise da estagnação estatal e da negligência educacional.
Diante dessa panorama, é perceptível a fragilidade governamental em valorizar a herança proveniente da África no Brasil. Nesse viés, a partir de 1888m dada a promulgação da Lei Áurea – responsável pela abolição da escravatura -, os escravizados africanos e seus descendentes tornaram-se marginalizados socialmente, em virtude da ausência de ressarcimento dos seus direitos civis por parte do governo. Sendo assim, como reflexo desse fato histórico, o Estado ainda negligencia a cultura afrodescendente ao não proporcionar políticas públicas eficazes, uma vez que não impulsiona a inserção de manifestações culturais africanas, como as danças tradicionais no ambiente social – a exemplo da falta da disseminação de festivais africanos pelo território -, em virtude da priorização da destinação de verbas a eventos de culturas privilegiadas, como a europeia. Por conseguinte, as práticas culturais dos afrodescendentes são invisibilizadas, tornando-as vítimas de discriminação, como o racismo, anulando suas identidades étnicas. Em suma, a omissão estatal é um fator agravante da problemática retratada.
Outrossim, é notório o impacto da ineficiência educacional em relação à desvalorização da herança dos negros na nação verde-amarela. Nesse contexto, o político Nelson Mandela ressalta o valor da educação e o seu potencial de salvar a humanidade. Entretanto, a educação brasileira apresenta uma série de lacunas que dificultam a promoção da herança africana no país. Prova dessa conjuntura é a escassez de disciplinas que abordem a história da cultura afrodescendente no Brasil — sem ilustrar apenas o período da escravidão —, devido ao destaque dado a matérias consideradas mais importantes, como a matemática. Consequentemente, as manifestações culturais africanas são negligenciadas são negligenciadas pelos estudantes, por adquirirem uma visão estereotipada de suas práticas e desconsiderarem sua diversidade. Em síntese, a lacuna educacional corrobora a temática mostrada.
Portanto, medidas necessitam ser tomadas para mitigar os desafios supracitados. Assim, é dever do Ministério da Cultura — órgão responsável por administrar a preservação cultural brasileira — incentivar a exposição da cultura africana, mediante eventos culturais. De igual modo, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável por assegurar a educação nacional, inserir os estudos africanos na grade curricular, mediante a criação de uma matéria para isso. Nesse sentido, com o intuito de valorizar a herança africana, suas práticas serão respeitadas.
Comentário da professora Marina Ferreira sobre a redação
A introdução inicia com um livro que é relativamente conhecido e que pode trazer uma contextualização para inúmeros temas. A contextualização é boa e a tese faz a síntese dos argumentos, apontando o direcionamento da discussão.
O repertório, no primeiro desenvolvimento, é bastante contextualizado, trazendo as raízes históricas da desvalorização das tradições africanas. É interessante observar que há exemplos específicos de como a cultura é desvalorizada, o que dá ao texto mais fundamentação.
Já o segundo argumento é mais genérico, porém correto, demonstrando que a educação falha e faz perpetuar o estigma quanto a essas manifestações. A proposta é bem detalhada, com todos os atores e bem ilustrada. Trata-se de uma boa redação, mas sem muita sofisticação.
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Anna Beatriz Veríssimo, de Baraúna (RN)
Na obra literária “Torto Arado”, Itamar Vieira retrata uma comunidade quilombola na fazenda Água Negra, na Bahia, relatando aspectos socioculturais relevantes para essa população afrodescendente, como os rituais religiosos e os saberes tradicionais passados pelas gerações. Fora da ficção, é nítido que a sociedade brasileira não valoriza a herança africana presente desde a histórica formação nacional. Essa problemática da invisibilidade decorre da mentalidade colonial eurocêntrica, bem como da lacuna educacional no tocante ao resgate da cultura afro-brasileira.
Dado o exposto, pode-se considerar a persistência de ideais eurocêntricos como empecilho para o reconhecimento do vasto legado africano no país, uma vez que tais formas de conhecimento são estigmatizadas em detrimento da valorização dos costumes hegemônicos dos colonizadores. Tal questão pode ser verificada sob o conceito de “racismo estrutural”, cunhado pelo antropólogo Silvio Almeida, em razão da naturalização do racismo em diversas esferas, a exemplo da linguagem e do uso de expressões como “magia negra” para vincular um sentido negativo ao que é negro. Dessa forma, o pensamento de desvalorização da herança africana se materializa no cotidiano, conforme denunciado por Almeida, e distancia a nação do desejo de aprender acerca dos costumes e valores africanos, ao atribuir estereótipos de desqualificação a esses saberes, o que aprofunda o óbice.
Além disso, é notória a falha educacional brasileira no que se refere ao resgate da cultura afro-brasileira, presente em canções, ritmos, festas populares e diversas manifestações importantes para o patrimônio nacional. Nesse viés, embora a Lei de Diretrizes e Base preconize o ensino obrigatório da história africana no ambiente escolar, ainda há uma escassez de programas nesse âmbito, na medida em que observa-se um amplo desconhecimento acerca das grandes personalidades negras ou de suas origens (como o escritor Machado de Assis, muitas vezes representado como branco), bem como do heroísmo dos abolicionistas, a exemplo do advogado Luiz Gama. Dessa maneira, elementos culturais, como a literatura negra, são esquecidos por parte da população, o que destona da proposta memorialística da LDB.
Portanto, é preciso reconhecer e valorizar a herança africana no Brasil. Para isso, o Governo Federal, em parceria com as secretarias estaduais de educação, deve ampliar as campanhas de valorização da cultura africana, sob um viés afrocentrado, por meio de votação entre deputados e senadores — responsáveis pela aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) —, com a finalidade de combater a visão eurocêntrica presente na sociedade, promovendo o aprendizado da história sob a ótica dos afrodescendentes. Ainda, cabe ao Ministério da Educação, como responsável pela elaboração de políticas públicas de educação, fomentar palestras socioeducativas, ministradas por pedagogos negros, nas instituições escolares, a fim de disseminar o conhecimento acerca o inestimável legado africano na história e na cultura do país. Nessa perspectiva, o panorama diverso destacado em “Torto Arado” será devidamente valorizado pela sociedade brasileira.
Comentário da professora Marina Ferreira sobre a redação
Começar com "Torto Arado” demonstra um profundo senso crítico, pois se trata de uma obra que toca especialmente no problema apontado pelo tema desse ano. É feita uma boa contextualização com o tema em si e a tese está clara, adiantando os dois argumentos que serão expostos.
O primeiro argumento tem um repertório sofisticado e diferente, trazer a perspectiva de um crítico contemporâneo é importante para provar que o problema permanece estruturalmente. Também se dá de forma interessante a criação de autoria, pois há um tom crítico claro, o qual relaciona bem a informação expressa com a opinião da autora.
O segundo argumento ilustra personalidades negras, tocando no assunto de forma pertinente e segura, além de haver exemplos que provam ainda mais o ponto de vista defendido. A proposta é bem detalhada, com todas as etapas e as especificidades e há a retomada ao livro mencionado na introdução, fortalecendo ainda mais a ideia de texto circuito.
Qual foi o tema de redação do Enem 2024? Veja os textos de apoio
A banca escolheu o seguinte tema de redação do Enem 2024:
“Desafios da valorização da herança africana no Brasil“
Veja abaixo os textos motivadores que orientaram os participantes sobre o recorte do tema escolhido:
Texto motivador 1
Definição da palavra “herança” no dicionário
"Herança — o legado de crenças, conhecimentos, técnicas, costumes, tradições, transmitido por um grupo social de geração para geração; cultura."
Texto motivador 2
A epistemologia da ancestralidade
"As culturas africanas e afro-brasileiras foram relegadas ao campo do folclore com o propósito de confiná-las ao gueto fossilizado da memória. Folclorizar, nesse caso, é reduzir uma cultura a um conjunto de representações estereotipadas, via de regra, alheias ao contexto que produziu essa cultura."
Texto motivador 3
Provérbio africano ilustrado
O provérbio africano foi utilizado acompanhado por uma ilustração publicada no livro “Um defeito de cor” de Ana Maria Gonçalves. A frase diz: “Quando não souberes para onde ir, olha para trás e saiba pelo menos de onde vens”. A ilustração é da artista Rosana Paulino.
Texto motivador 4
História afro-brasileira nas escolas*
As aulas sobre escravidão eram motivo de vergonha para uma professora quando ela estudava em uma escola municipal na zona sul de São Paulo. “Era o meu pior momento na escola”, lembra a ex-aluna. Naquela época, a história da população negra no Brasil era reduzida ao horror do período escravocrata. Não se falava na escola sobre temas como a história e a cultura afro-brasileira, muito menos sobre as grandes personalidades negras do país, como Luiz Gama e Carolina Maria de Jesus.
A pedagoga, que é negra, tem orgulho em oferecer uma experiência diferente da que viveu em sala de aula para seus alunos. Agora os livros infantis levados para as turmas têm protagonistas pretos. Temas como a beleza do cabelo crespo e o combate ao racismo fazem parte do dia a dia da escola.
*O quarto texto da coletânea foi um trecho da reportagem “História afro-brasileira nas escolas: professoras comentam avanços e dificuldades“, do Jornal Unesp.
Texto motivador 4
Histórias para ninar gente grande (samba-enredo de 2019 da escola de samba do Rio de Janeiro Estação Primeira de Mangueira)
Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra
Brasil, meu dengo
A mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 Tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato
Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati
Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês
Texto motivador 5
Crianças admiram grafite de Zumbi dos Palmares
Fotografia publicada no jornal O Globo, feita pelo fotógrafo Brenno Carvalho, com crianças de uma escola municipal do Rio de Janeiro, admirando um grafite de Zumbi dos Palmares, localizado na Pedra do Sal, ponto turístico carioca:
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Tema de redação Enem 2024: veja os comentários dos professores do Estratégia Vestibulares
Anna Cabral — professora de Redação
“Tema de redação pouco esperado tendo em vista as diversidades apresentadas ao longo do ano. Entretanto, os episódios que acontecem com o Vini Jr podem ter suscitado algo na escolha. É um tema muito parecido com o Enem 2022, povos tradicionais, então conseguiríamos citar a luta dos povos e claro promover a manutenção da cultura de matriz africana, importantíssima para a cultura brasileira”.
Marina Ferreira — professora de Redação
“Vale começar dizendo que se trata de um tema que faz interseção entre dois eixos: Arte e Cultura e Direitos e Cidadania. A herança dos povos africanos envolve a língua, a arte, a dança, a música, entre tantas outras manifestações e expressões identitárias que compõem a cultura brasileira. No entanto, pode-se perceber que os principais desafios quanto à valorização se encontram no racismo – cujos traços são notórios na formação do país, como exposto por diversos sociólogos brasileiros – e na criação de políticas públicas que reparem a mancha da escravidão deixada na História. A escravidão e a persistência do racismo estrutural são aspectos que devem ser considerados para uma boa abordagem. Isso porque o tema traz esse viés, justamente para que se problematize a desvalorização das expressões culturais mais populares, as que são atreladas à herança dos povos africanos, e o impacto do racismo estrutural que criminaliza corpos negros, descendentes dos povos africanos, cotidianamente, seja no sistema judiciário seja na demonização de seus costumes. Penso que tratar do legado dos povos africanos deve passar por mencionar a escravidão e a colonização. Diferentemente do que foi abordado quando se citaram os povos tradicionais e originários, esse eixo temático propõe aspectos mais amplos (cultural, econômico e histórico), já que os povos africanos foram decisivos para que o Brasil fosse o que é hoje”.
Fernando Andrade —- professor de Redação e Filosofia
“A minha impressão da prova de Redação foi que a banca escolheu um tema que é interessante aos participantes, que não é difícil. Dá para falar da não valorização da herança negra, e isso é mais ou menos óbvio porque temos um dispositivo legal que garante o ensino de história e cultura negra nas escolas, mas isso quase não é levado em consideração. O recorte do tema estava em ‘valorização’, e outra coisa interessante é que o participante poderia utilizar o argumento comum da omissão do Estado por conta dessa não fiscalização da obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana nas escolas. Outra coisa interessante é que, por não ter um recorte, não vão haver muitos desvios, porque a proposta é muito clara”.
Herança africana: veja repertórios socioculturais do tema de redação do Enem 2024
Escravidão africana
O Brasil é o país do continente americano que mais recebeu pessoas africanas escravizadas entre os séculos XVI e XIX. O total chega a cerca de quatro milhões de homens, mulheres e crianças, e o número equivale a mais de um terço de todo comércio negreiro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No Censo 2022, 55,5% da população brasileira se declarou como negra (preta ou parda), dado que mostra a relação com o passado escravocrata do País. No estado da Bahia, por exemplo, 80,8% da população se declarou negra para a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do IBGE, em 2022.
Violência contra a população negra
Um dos desafios da valorização da herança africana no Brasil é, sem dúvidas, a violência contra a população negra. Segundo o Atlas da Violência 2023, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 445.527 pessoas negras foram assassinadas no ano passado, sendo, assim, 77,1% das vítimas de homicídio.
A estatística mostra que, em média, 4,22 pessoas negras são mortas por hora no Brasil. Além disso, em 2021, das 3.858 mulheres assassinadas, 2.601 eram negras, ainda de acordo com o Altas da Violência.
Quando o assunto é violência policial, a população negra também é a mais afetada no Brasil. A pesquisa “Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro”, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), apontou que, em 2022, nove em cada dez mortos pela polícia eram negros, em oito estados diferentes (Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí, Maranhão e Pará).
Desigualdade salarial
A diferença salarial entre negros e brancos em cargos de gerência chega a 42,3%. Um profissional negro recebe R$ 3.905,03 na mesma função em que uma pessoa branca ganha R$ 6.769,55, segundo um levantamento realizado pelo portal Vagas, site especializado em recrutamento e seleção.
Homenagem à figuras ligadas à escravidão africana no Brasil
Em junho de 2021, um grupo de manifestantes incendiou a estátua do bandeirante Borba Gato, na cidade de São Paulo. O ato levantou discussões, que já ocorrem em alguns outros lugares do mundo, a respeito da homenagem à figuras que participaram da escravidão africana e indígena durante o período colonial brasileiro.
Um ano antes, em 2020, os deputados federais Talíria Petrone (PSOL-RJ), Áurea Carolina (PSOL-MG) e Orlando Silva (PCdoB-SP) apresentaram o Projeto de Lei 5296/20, que proíbe, em todo o território nacional, o uso de monumentos, como estátuas, totens, praças e bustos, para homenagear personagens da história do Brasil diretamente ligados à escravidão de povos negros e indígenas.
Apesar de não ter andado no Poder Legislativo federal, a iniciativa de 2020 incentivou medidas parecidas localmente. Em outubro de 2023, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro (RJ) aprovou o Projeto de Lei 608-A/2021, dos vereadores Chico Alencar e Monica Benício (PSOL), que proíbe o município de:
“manter ou instalar monumentos, estátuas, placas e quaisquer homenagens que façam menções positivas e/ou elogiosas a escravocratas, eugenistas e pessoas que tenham perpetrado atos lesivos aos direitos humanos, aos valores democráticos, ao respeito à liberdade religiosa e que tenham praticado atos de natureza racista”.
No Carnaval 2024, a Escola de Samba paulistana Vai-Vai desfilou com um carro alegórico que levava uma réplica da estátua de Borba Gato que foi incendiada. Durante o desfile, a Escola simulou fogo e fumaça nas pernas da estátua, e no mesmo carro alegórico havia placas com a frase “fogo nos racistas”.
Intolerância religiosa
O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) aponta que membros de religiões de matriz africana são os que mais sofrem intolerância religiosa no Brasil. Mesmo com o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa instituído desde 2007, as estatísticas sobre esse tipo de violência continuam em crescimento.
Em 2023, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (ONDH/MDHC) recebeu 1.478 denúncias e constatou 2.124 violações sobre intolerância religiosa, um aumento de 64.59% e 79.39% em comparação ao ano anterior, respectivamente.
Valorização de comunidades Quilombolas
Se grande parte da população brasileira possui descendência africana, nas comunidades quilombolas essa herança é ainda mais presente. O Quilombo dos Palmares, maior do Brasil e da América Latina, reuniu cerca de 20 mil habitantes entre os séculos XVI e XVII, segundo a Fundação Cultural Palmares.
Atualmente, o Brasil possui 8.441 Quilombos, de acordo com o Censo do IBGE de 2022. Essa, inclusive, foi a primeira edição, em 150 anos de pesquisa, que o Censo apurou informações sobre povos e comunidades tradicionais no Brasil.
Em 2023, com a atualização da Lei de Cotas de 2012, a população quilombola foi incluída na reserva de vagas, que já separava uma porcentagem para pessoas negras, mas não especificamente às ligadas aos quilombos.
Educação sobre a herança africana
Sancionada em janeiro de 2003, a Lei 10.639 instituiu a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas de todo o Brasil. Entretanto, de acordo com dados de 2023 do Instituto Alana e do Geledés Instituto da Mulher Negra, sete em cada dez secretarias municipais de educação não fizeram nenhuma ação ou tomaram poucas providências para adotar o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas.
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Qual é o formato da redação do Enem?
De acordo com o Inep, o candidato deve produzir um “texto dissertativo-argumentativo a partir de uma situação-problema”.
Além disso, essa texto deve ter até 30 linhas, já o mínimo são 7 linhas. Caso o candidato não cumpra o determinado, a redação é anulada.
Qual o formato de uma redação dissertativa-argumentativa?
A redação do Enem segue o gênero textual dissertativo-argumentativo, ou seja, apresenta um ponto de vista por meio de argumentos. A estrutura é simples, sendo dividida em três partes:
- Introdução: apresentar o tema e o posicionamento sobre o tema proposto.
- Desenvolvimento: aprofundamento dos os argumentos citados na introdução, fortalecendo o ponto de vista que o candidato defende.
- Conclusão: criar intervenções que contribuam para a melhoria da problemática.
Quais são os critérios de correção da redação do Enem?
A redação do Enem é avaliada por meio de cinco competências, com o objetivo tornar a avaliação padronizada para todos os concorrentes. A seguir, confira o que cada uma das competências pede do candidato:
- Competência 1: Domínio da escrito formal da Língua Portuguesa
- Competência 2: Compreender o tema e não fugir da proposta
- Competência 3: Organização das ideias
- Competência 4: Coesão e coerência
- Competência 5: Proposta de Intervenção
+ Competência 1 da redação do Enem;
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+ Competência 4 da redação do Enem; e
+ Competência 5 da redação do Enem.
Leia mais: Veja a lista com 10 redações nota 1000 do Enem 2021 e inspire-se para alcançar a nota máxima
Histórico de temas de redação do Enem
Apesar das polêmicas sobre um possível tema de redação mais livre, o Enem manteve o mesmo padrão dos últimos anos. Veja abaixo o histórico de temas de redação do Enem:
- Redação Enem 2024 – Desafios da valorização da herança africana no Brasil
- Redação Enem 2023 – invisibilidade do trabalho de cuidados realizados pela mulher no Brasil
- Redação Enem 2022 – Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
- Redação Enem 2021 – Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil
- Redação Enem 2020 – O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
- Redação Enem 2019 – Democratização do acesso ao cinema no Brasil
- Redação Enem 2018 – Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
- Redação Enem 2017 – Desafios para formação educacional de surdos no Brasil
- Redação Enem 2016 – Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
- Redação Enem 2015 – A Persistência da Violência contra a Mulher na Sociedade Brasileira
- Redação Enem 2014 – Publicidade infantil em questão no Brasil
- Redação Enem 2013 – Os efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
- Redação Enem 2012 – O movimento imigratório para o Brasil no século XXI
- Redação Enem 2011 – Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado
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+ Redação nota 1000: leia 10 redações do Enem 2021
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Veja algumas das informações que você encontrará no Guia do Enem:
- Enem Impresso x Digital
- Calendário do Enem
- TRI: como funciona a nota do Enem
- Checklist: veja o que mais cai no Enem por disciplina
- Como desenvolver repertório sociocultural para a redação?
- Exemplos de redação nota 1.000
Como estudar para o Enem?
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